Severidade e controle do míldio foliar em videira ‘Bordô’ sob manejo biológico e químico

Autores

  • João Peterson Pereira Gardin Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
  • João Frederico Mangrich Passos Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

Palavras-chave:

Plasmopara viticola, controle biológico

Resumo

O míldio, causado por Plasmopara viticola, é a principal doença foliar da videira em regiões de clima subtropical úmido, exigindo aplicações frequentes de fungicidas que elevam custos e resíduos. A substituição parcial desses fungicidas por agentes biológicos multiplicados na propriedade (on farm) é uma alternativa sustentável que precisa ser validada a campo. O objetivo foi avaliar a severidade e o controle do míldio foliar na videira ‘Bordô’ (Vitis labrusca) sob manejo biológico e manejo químico convencional em duas safras. O estudo foi conduzido em vinhedo comercial em Arroio Trinta-SC, nas safras 2023/24 e 2024/25, em áreas pareadas no mesmo vinhedo, com mesma cultivar, idade das plantas, sistema de condução e histórico fitossanitário semelhantes, assegurando a comparabilidade. O manejo químico seguiu a recomendação usual de fungicidas do produtor e o manejo biológico baseou-se na redução do uso de fungicidas e na sua substituição por multiplicados de Bacillus subtilis, B. amyloliquefaciens e B. pumilus produzidos on farm. A severidade do míldio na folha foi avaliada em três datas por safra por escala de notas de 0 a 4, convertida em índice de doença (ID, %, tipo McKinney). Em cada manejo, as plantas foram agrupadas em 10 parcelas de quatro, calculando-se o ID por parcela em cada data. O controle do manejo biológico em relação ao químico foi obtido por (ID químico − ID biológico)/ID químico × 100, em que valores negativos indicam maior severidade no biológico. Os manejos foram comparados pelo teste não paramétrico de Mann-Whitney (p<0,05) sobre as 10 parcelas em cada data. Em todas as datas o ID foi numericamente maior no manejo biológico, porém sem diferença estatística entre os manejos. Na safra 2023/24, o ID biológico vs. químico foi de 38,1% vs. 27,5% (controle de −38,6%; p=0,156) em 31/10, 51,9% vs. 50,6% (−2,5%; p=0,619) em 27/11 e 52,5% vs. 43,8% (−20,0%; p=0,303) em 20/12. Na safra 2024/25, o ID foi de 25,0% vs. 13,1% (−90,5%; p=0,110) em 08/10, 27,5% vs. 21,9% (−25,7%; p=0,510) em 27/11 e 33,1% vs. 31,9% (−3,9%; p=0,819) em 20/12. Ao longo da estação a diferença entre os manejos diminuiu, com o ID do biológico aproximando-se do químico nas avaliações finais de ambas as safras. Conclui-se que, nas condições avaliadas, o manejo biológico on farm proporcionou controle de míldio foliar estatisticamente equivalente ao manejo químico nas duas safras, ainda que com severidade numericamente maior e tendência de redução da diferença ao longo da estação. Considerando o menor custo dos insumos e a redução de resíduos, a equivalência observada indica potencial de substituição parcial dos fungicidas, recomendando-se ajustes no número e no época das aplicações.

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Publicado

19-06-2026