Análise de custo de produção referencial da maleicultura catarinense
Palavras-chave:
Economia agrícola, custo de produção, fruticulturaResumo
O estado de Santa Catarina é o segundo maior produtor de maçã do Brasil, com 47,3% da produção e o maior em área com 48,7% do total nacional. Conforme estimativas da Epagri/Cepa, na safra 2024/25, Santa Catarina contou com cerca de 2.700 pomicultores gerando um valor bruto da produção (VBP) total de R$1,18 milhões. A produção está dividida em pequenas propriedades familiares, caracterizadas pela presença de produtores organizados em cooperativas ou com contrato com empresas que fornecem serviços de classificação e embalagem automatizados. As frutas produzidas no Estado são direcionadas, ao mercado interno para consumo in natura ou para processamento na indústria de sucos e outra parte é exportada. Nesse contexto, a Epagri/CEPA construiu uma matriz de Custo de Produção Referencial para a maçã a partir da metodologia do custo operacional efetivo - COE (Epagri/Cepa) e séries históricas de custos de produção da Conab, com dados e informações obtidos, em São Joaquim, no Painel de especialistas, com a presença de produtores, representantes do setor, técnicos e pesquisadores. A metodologia contou com a definição da propriedade modal em área (3,5 ha) e produtividade (50 mil kg ha-1) para a principal região produtora estadual, a caracterização do sistema de produção predominante com maçãs Fuji e Gala e a atualização dos coeficientes técnicos, componentes de custos e insumos utilizados na cultura. Os custos operacionais efetivos (COE) referenciais para a produção de maçãs Fuji e Gala na região agro do Planalto Sul Catarinense ficaram entre R$73.208,56 e R$73.689,39 por hectare, considerando o preço médio de venda da fruta no intervalo de R$62,71 a R$74,25 a caixa de 18 kg conforme os preços de insumos atualizados em 2025. Os Custos Operacionais Totais (COT) foram calculados entre R$76.732,23 e R$77.213,07 por hectare, representando 44,0% a 37,4% do preço médio da caixa de 18 kg negociada na safra 2025/26. A análise da estrutura de custos revela que os serviços mecânicos e de mão-de-obra representam juntos o principal componente operacional, com 57% do custo efetivo, seguidos pelos insumos (29%). Entre os serviços mecânicos, o maior destaque reside nas pulverizações, que correspondem a uma fatia de 13% dos desembolsos; enquanto, nos serviços de mão-de-obra, os tratos culturais respondem por 11%. Já nos insumos, os fungicidas participam com 10% do custo efetivo. Na análise dos resultados de rentabilidade é estimada que a produtividade de nivelamento total seria de 22.024,89 kg ha-1, com margem operacional efetiva de R$100.985,83/ha (58%) e margem operacional total de R$97.462,16/ha (56%) em relação aos desembolsos estimados para o ciclo produtivo com preço de nivelamento total de R$1.534,64/ha. Os resultados demonstram que a cultura da maçã catarinense apresenta importância econômica e boa rentabilidade, mesmo diante dos custos significativos de produção.
