Influência do porta-enxerto no vigor de plantas de pessegueiro ‘BRS RubraMoore’ e ‘BRS Fascínio’

Autores

  • Rafael Henrique Pertille EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Valdecir Perazzoli EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Sabrina Baldissera EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Bruno Bonin EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Carine Cocco EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • André Luiz Kulkamp de Souza EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC

Palavras-chave:

Prunus persica, porta-enxerto clonal, poda verde

Resumo

A cultura do pessegueiro é relevante em Santa Catarina, especialmente na região do Alto Vale do Rio do Peixe. O elevado custo e a escassez da mão de obra para a realização dos tratos culturais na cultura de pessegueiro e da ameixeira destaca a necessidade da tecnificação dos pomares, com a utilização de porta-enxertos clonais de baixo vigor e sistemas de condução mais adequados, possibilitando o incremento de produtividade e qualidade das frutas. Este trabalho teve como objetivo a avaliação do vigor vegetativo das cultivares de pessegueiro ‘BRS RubraMoore’ e ‘BRS Fascínio’ sobre diferentes porta-enxertos. O experimento foi conduzido durante a safra 2025/2026, na EPAGRI - Estação Experimental de Videira. O pomar é constituído pelas cultivares copa ‘BRS RubraMoore’ e ‘BRS Fascínio’ enxertados sobre ‘Rootpac 20’ e ‘Capdeboscq’. O pomar foi implantado em 2024 em sistema de condução “Y” com quatro pernadas, com espaçamento de 5 metros entre filas e 2 metros entre plantas em delineamento de blocos ao acaso, com 4 repetições compostas por 5 plantas por unidade experimental. Durante o inverno foi realizada a medição do diâmetro de tronco cerca de 10 cm acima do ponto de enxertia com paquímetro digital. A poda foi realizada em julho, mantendo os ramos com maior potencial produtivo e retirando ramos mal posicionados, doentes ou com baixo potencial de brotação e frutificação. A poda de verão foi realizada após a colheita (janeiro), retirando-se principalmente os ramos centrais “ladrões” e ramos mal posicionados, mantendo-se todos os ramos laterais e com menor vigor. Todos os ramos retirados em ambas as épocas foram contados e pesados. A análise dos dados foi realizada por meio de análise de variância (α = 5%) seguida de comparação de médias por Tukey. Os resultados demonstram que o porta-enxerto influenciou significativamente nas variáveis de crescimento vegetativo de ambas as cultivares na safra 2025/2026. Para a cultivar ‘BRS Fascínio’, as plantas sobre o porta-enxerto tradicional ‘Capdeboscq’ apresentaram maior diâmetro de tronco (58,0 mm) em relação ao ‘Rootpac 20’ (45,4 mm). Esse maior vigor refletiu diretamente na necessidade de manejo de copa, demandando maior número de ramos podados no inverno (109,6) e no verão (25,8), bem como maior massa de ramos retirados tanto na poda de inverno (2328 g) quanto na poda verde de verão (5510 g). Em contrapartida, as plantas sobre ‘Rootpac 20’ apresentaram menor necessidade de poda de inverno, com 55,6 ramos podados no inverno e 5,6 ramos podados no verão, e peso de poda de 937 g no inverno e 1050 g no verão. O mesmo comportamento foi observado na cultivar ‘BRS RubraMoore’, na qual o ‘Capdeboscq’ induziu maior diâmetro de tronco (59,9 mm) comparado ao ‘Rootpac 20’ (51,7 mm). Consequentemente, o número de ramos removidos nas podas foi superior no porta-enxerto ‘Capdeboscq’, com retirada de 82,4 ramos (2694 g) no inverno e 25,7 ramos (6790 g) no verão. As plantas enxertadas sobre ‘Rootpac 20’ demandaram menor intervenção, com apenas 47,2 ramos (1304 g) removidos no inverno e 13,4 ramos (2260 g) no verão. O peso médio por ramo não apresentou diferença significativa entre os porta-enxertos em nenhuma das épocas avaliadas. No inverno, as médias foram de 31,1 g para ‘BRS RubraMoore’ e 19,6 g para ‘BRS Fascínio’, enquanto no verão foram de 228 g e 220 g, respectivamente. Esses resultados indicam que a menor biomassa total observada no ‘Rootpac 20’ pode ser atribuída ao menor número absoluto de ramos emitidos, associado à menor brotação de ramos ladrões e não à redução do vigor individual das brotações.

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Publicado

19-06-2026