Desempenho agronômico de seleções de porta-enxertos de videira resistentes à Síndrome do Declínio e Morte da Videira

Autores

  • Rafael Henrique Pertille EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Marco Antonio Dalbó EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Fábio Ribeiro de Freitas EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC
  • Mariane Ruzza Schuck EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Videira, SC

Palavras-chave:

Vitis sp., DMV, melhoramento

Resumo

A vitivinicultura possui grande relevância socioeconômica no Sul do Brasil. No entanto, a produção de uvas tem sido severamente comprometida pela síndrome do Declínio e Morte da Videira (DMV), causada por um complexo de fatores bióticos e abióticos. O uso de porta-enxertos resistentes surge como uma alternativa promissora para mitigar o problema. Com a finalidade de reduzir os impactos do DMV na região, foram desenvolvidas novas seleções de porta-enxertos que apresentam maior tolerância à síndrome e proporcionam menor vigor à copa. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho agronômico da cultivar-copa ‘Prosecco’ enxertada sobre diferentes seleções de porta-enxertos resistentes ao DMV. O experimento foi conduzido em um vinhedo implantado no ano de 2021, no município de Santa Tereza, RS, com densidade de 2.857 plantas ha⁻¹, conduzidas no sistema de latada. Avaliaram-se as seleções EV 13-163, EV 13-200, EV 13-541, EV 13-52, EV 36-3 e EV 81-1, além dos porta-enxertos comerciais Paulsen 1103 e SO4. As avaliações de rendimento e de qualidade físico-química dos frutos foram realizadas na safra 2025/2026, utilizando-se o delineamento inteiramente casualizado com cinco repetições. As análises físico-químicas do mosto foram efetuadas no Laboratório de Análise de Frutos da Epagri – Estação Experimental de Videira. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias foram agrupadas pelo teste de Scott-Knott. Os porta-enxertos influenciaram significativamente as variáveis de produtividade, número de cachos por planta, peso médio de cacho, peso médio de bagas e acidez total. Por outro lado, o pH e o teor de sólidos solúveis não foram afetados pelos tratamentos. As maiores produtividades por área foram obtidas com os materiais SO4 (45,4 t ha⁻¹), EV 13-52 (42,2 t ha⁻¹), Paulsen 1103 (41,0 t ha⁻¹), EV 36-3 (39,3 t ha⁻¹) e EV 81-1 (37,2 t ha⁻¹). Quanto ao número de cachos por planta, destacaram-se o EV 36-3 (46,5 cachos), SO4 (41,0 cachos) e Paulsen 1103 (38,6 cachos). As seleções EV 13-163 e EV 36-3 resultaram nos menores pesos de cacho (290 g e 302 g, respectivamente), enquanto os demais materiais variaram de 347 g (EV 13-200) a 434 g (EV 13-52). Para o peso médio de bagas, sobressaíram-se os materiais EV 13-52 (2,4 g), Paulsen 1103 (2,3 g), EV 13-541 (2,2 g) e SO4 (2,2 g), ao passo que as seleções EV 13-163, EV 13-200, EV 36-3 e EV 81-1 apresentaram médias inferiores a 1,9 g. Em relação às características químicas, apenas a acidez total diferiu entre os tratamentos, com as seleções EV 13-163 (87,6 meq L-1), EV 13-541 (86,0 meq L-1), EV 36-3 (85,5 meq L-1) e EV 13-52 (85,2 meq L-1) registrando os maiores valores. As seleções EV 13-52, EV 36-3 e EV 81-1 consolidam-se como alternativas promissoras para a região, pois conciliam alta produtividade e ótimos atributos físico-químicos nos frutos, equiparando-se aos porta-enxertos tradicionais Paulsen 1103 e SO4.

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Publicado

19-06-2026