Pegamento de miniestacas de figueira 'Roxo de Valinhos' (Ficus carica L.) submetidas a diferentes concentrações de ácido indolbutírico

Autores

  • Thiago Vinicius Rech UFFS
  • Moisés de A. Barbosa
  • Me. Vanderlei Smaniotto
  • Jhonatan A. Marcante
  • Edson da Silva
  • Caroline Silva Freitas
  • Dr. Clevison L. Giacobbo

Palavras-chave:

AIB, miniestaquia, auxina sintética, propagação vegetativa.

Resumo

A figueira (Ficus carica L.), pertencente à família Moraceae, é uma frutífera tradicionalmente propagada por estaquia, sendo o sucesso desse processo dependente de fatores endógenos e exógenos, dentre os quais destaca-se o uso de auxinas sintéticas como o ácido indolbutírico (AIB). Embora a aplicação de AIB seja amplamente recomendada em diversas espécies lenhosas, a resposta em figueira é variável conforme a cultivar e a concentração utilizada, podendo ser nula ou mesmo negativa em determinadas faixas de dose. Objetivou-se avaliar o pegamento de miniestacas da cultivar 'Roxo de Valinhos' submetidas a diferentes concentrações de AIB. O experimento foi conduzido em casa de vegetação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Chapecó-SC, em 2026. Miniestacas com dois nós foram padronizadas e submetidas a quatro tratamentos com AIB nas concentrações de 0 (testemunha), 150, 300 e 600 mg L⁻¹. Posteriormente, foram plantadas em substrato composto por mistura (1:1, v/v) de substrato inerte e solo, em delineamento inteiramente casualizado (DIC), com cinco repetições por tratamento, composto por cinco miniestacas/repetição, totalizando 25 miniestacas por tratamento e 100 miniestacas no ensaio. Aos 120 dias após o plantio, avaliou-se o pegamento, definido pela presença simultânea de raízes e brotações, considerando-se o número de miniestacas enraizadas por unidade experimental. Os dados foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk, à análise de variância e ao teste de Tukey (α=5%). O pegamento diferiu significativamente entre tratamentos, com coeficiente de variação de 11,87%. A porcentagem de pega foi superior para 0 mg L⁻¹, 150 mg L⁻¹ e 600 mg L⁻¹ de AIB, com 52%, 56% e 56%, respectivamente, diferindo estatisticamente do tratamento com 300 mg L⁻¹ de AIB (40%). A ausência de incremento no pegamento com a aplicação de AIB nas concentrações de 150 e 600 mg L⁻¹ em relação à testemunha indica que o balanço endógeno de auxinas das miniestacas de figueira 'Roxo de Valinhos' é provavelmente suficiente para sustentar o enraizamento adventício, corroborando com relatos de alguns autores de que nem todos os genótipos de figueira respondem positivamente à aplicação exógena de auxinas sintéticas. Já a redução do pegamento na dose intermediária de 300 mg L⁻¹, sem comprometimento nas doses de 150 e 600 mg L⁻¹, configura uma resposta atípica que merece investigação adicional. Tal comportamento pode ser atribuído a interações específicas entre concentração de auxina, sensibilidade do tecido e balanço hormonal endógeno, possivelmente envolvendo efeitos diferenciais sobre a iniciação e o alongamento radicular em faixas estreitas de concentração. Conclui-se que a aplicação de ácido indolbutírico nas concentrações utilizadas neste trabalho não promoveu melhorias no enraizamento de miniestacas de figueira 'Roxo de Valinhos', sendo que a dose de 300 mg L⁻¹ reduziu significativamente o pegamento em relação à testemunha e às demais concentrações testadas.

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Publicado

19-06-2026