Análise do custo de produção referencial da cultura do maracujazeiro na fruticultura catarinense
Palavras-chave:
Economia agrícola, Passiflora edulis, custo operacionalResumo
A passicultura representa cerca de 8% da produção de frutas em Santa Catarina, com destaque para a região do Litoral Sul, responsável por aproximadamente 85% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estadual do maracujá. Estima-se que cerca de 2,5 mil produtores cultivam mais de 10 mil hectares da cultura no Sul catarinense, onde perde relevância apenas para a banana. Nesse contexto, a limitada disponibilidade de informações sobre a estrutura de custos dessa cadeia produtiva evidencia a necessidade de desenvolver um modelo de custos adaptado à realidade dos produtores locais a fim de auxiliar no controle e tomada de decisões. Assim, este trabalho teve como objetivo desenvolver e analisar uma metodologia referencial de custos de produção para o maracujá, aplicada à realidade da fruticultura catarinense. A matriz de Custo de Produção Referencial foi construída a partir da metodologia do custo operacional efetivo - COE estabelecida pela Epagri/Cepa e séries históricas de custos de produção da Conab, e validado a partir de painéis compostos por especialistas do setor público e privado do Litoral Sul catarinense. A matriz de custo referencial foi baseada em uma propriedade típica (modal) de agricultura familiar com produtividade média de 28 mil kg ha-1 e 1,5 ha, o preço médio de venda foi fixado a R$ 2,80 kg e preços de insumos levantados em outubro de 2025. O Custo Operacional Total (COT) foi calculado em R$ 66.557,05 por ha, e nesse cenário, o preço mínimo de venda para cobrir o COT seria de R$ 26,15 a caixa 11 kg. A mão de obra configura-se como o principal componente dos custos operacionais, representando aproximadamente 47% do total, seguida pelos gastos com insumos (31%) e pelos serviços mecanizados (12%). No que se refere aos insumos, os maiores dispêndios concentram-se em mudas, tutoramento e irrigação (37%), seguidos pelos fertilizantes (36%). A margem bruta foi de R$ 13.800,37 ha⁻¹ e o lucro operacional de R$ 11.842,95 ha⁻¹, calculados sobre o preço de venda de R$ 2,80 kg. Ambos indicam, nesse cenário, viabilidade econômica da produção, com cobertura dos custos operacionais e depreciação, embora com margem de segurança limitada frente a variações de custos, preços e produtividade. Diante desse contexto, o retorno sobre o investimento é de aproximadamente 17,8%, indicando viabilidade econômica com margem reduzida. Contudo, variações sazonais de preço podem ampliar essa margem, tornando o sistema mais resiliente. Esse resultado reforça a importância do controle dos custos de produção na propriedade.
