Produção e fluxo de comercialização da laranja em Santa Catarina

Autores

  • Emile Dayara Rabelo Santana EPAGRI/CEPA
  • Rogério Goulart Junior EPAGRI/CEPA
  • João Rogério Alves EPAGRI/CEPA
  • Catherine Amorim EPAGRI/CEPA
  • Andriele Caroline de Morais EPAGRI/CEPA
  • Lucas Trindade Borges EPAGRI/CEPA

Palavras-chave:

Citricultura, logística agrícola, cadeia de abastecimento.

Resumo

A citricultura catarinense apresenta produção regionalizada e menor representatividade nacional quando comparada aos principais estados produtores brasileiros. Entretanto, a cultura possui relevância econômica em sistemas de agricultura familiar e circuitos regionais de abastecimento. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo analisar a dinâmica de comercialização da laranja nas Centrais de Abastecimento (CEASAs e CEAGESP) brasileiras, considerando a distribuição espacial da produção e a relação entre produção e comercialização. Foram utilizados dados de produção provenientes do Relatório Estadual de Fruticultura (2021/2022) e informações de comercialização obtidas junto às centrais de abastecimento referentes ao período de 2022 a 2025, disponíveis no Observatório Agro Catarinense da Epagri/Cepa. As informações foram organizadas conforme as regiões agrícolas do estado, permitindo avaliar a participação de cada área no volume comercializado e comparar os fluxos de distribuição com a capacidade produtiva estadual. Em 2022, Santa Catarina apresentou produção de 14,28 mil toneladas de laranja distribuídas em 811 hectares, conduzidos por 422 produtores, com destaque para o Meio Oeste, responsável por 8,12 mil toneladas, seguido pelo Oeste, com 2,82 mil toneladas, e pelo Litoral Sul, com 1,44 mil toneladas. No mesmo período, aproximadamente 1,19 mil toneladas foram comercializadas em centrais de abastecimento. As áreas com maior participação na comercialização foram o Litoral Norte, responsável por 40,3% do volume comercializado, seguido do Litoral Sul, com 24,7%, e a Região Metropolitana, com 21,1%. Entretanto, algumas localidades apresentaram volumes comercializados superiores à própria produção declarada, como observado para o Litoral Norte e a Região Metropolitana, indicando a atuação desses locais como polos logísticos e de redistribuição. A análise temporal demonstrou crescimento expressivo do volume comercializado nas centrais de abastecimento entre 2022 e 2025, passando de 1,19 mil para 2,69 mil toneladas. Observou-se a consolidação do Litoral Sul como principal polo comercial, impulsionado principalmente pelos municípios de São Ludgero e São Martinho. Também foi identificado crescimento da participação do Litoral Norte e do Extremo Oeste, além da ampliação da participação do Meio Oeste a partir de 2024. Os resultados evidenciam mudanças na geografia da comercialização da laranja em Santa Catarina, indicando reorganização dos fluxos comerciais e consolidação de determinados polos de abastecimento. Embora o estado não esteja entre os principais produtores nacionais, observa-se uma dinâmica relevante voltada ao mercado interno e ao abastecimento das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Além disso, os volumes comercializados nas centrais de abastecimento não refletem exclusivamente a produção catarinense, evidenciando a participação de frutas provenientes de outros estados produtores.

Arquivos adicionais

Publicado

19-06-2026