Análise de custo da produção referencial da bananicultura em Santa Catarina
Palavras-chave:
Economia agrícola, custos operacionais, fruticulturaResumo
O estado de Santa Catarina é o quarto maior produtor de banana do Brasil, sendo responsável por mais de 10,3% da produção nacional. O setor abriga aproximadamente 3.800 bananicultores catarinenses, em sua maioria atuando em pequenas propriedades familiares organizadas por meio de associações ou cooperativas. Em termos econômicos, estima-se que a bananicultura corresponda a 28% do Valor Bruto de Produção (VBP) da fruticultura catarinense, atingindo o montante de R$1,24 bilhão no ano de 2024. Diante desse cenário, estudos sobre o custo de produção tornam-se fundamentais para embasar decisões estratégicas e o planejamento das propriedades agrícolas. Nesse contexto, a Epagri/CEPA elaborou planilhas de custo de produção referenciais para as principais atividades agropecuárias do estado. Esses custos são baseados em levantamentos de preços de insumos (levantados três vezes ao ano, em abril, julho e outubro), serviços e demais componentes necessários para a produção agropecuária. Visando à caracterização dos sistemas de produção, à definição da propriedade modal e o levantamento dos coeficientes técnicos da bananicultura foi realizado, em Itajaí, um painel de especialistas com a presença de produtores, técnicos e pesquisadores. Assim, foram desenvolvidas três matrizes de custos operacionais efetivos (COE) referenciais para a produção da banana-caturra (grupo Cavendish) baseadas em três níveis de produtividade média (até 30 t ha-1, de 30 a 40 t ha-1 e acima de 40 t ha-1) para a região agro do Litoral Norte Catarinense. Considerando o preço médio de venda da fruta fixado em R$2,46 por quilo e os preços de insumos levantados em outubro de 2025, os Custos Operacionais Totais (COT) foram calculados em R$18.996,78, R$24.281,98 e R$30.560,95 por hectare, respectivamente para cada faixa de produtividade. Desse modo, para cobrir o COT, a caixa de 20 kg deve apresentar um preço mínimo de R$12,66 na primeira faixa, R$14,19 na segunda e R$15,28 na terceira. A análise da estrutura de custos revela que os insumos representam o principal componente operacional, variando de 38% a 40% do custo total, seguidos pela mão de obra (31% a 32%) e pelos serviços mecanizados (14% a 16%). Entre os insumos, o maior destaque reside nos fertilizantes, que correspondem a uma fatia de 23% a 25% dos gastos. Por fim, os resultados de rentabilidade mostram-se positivos: para a produtividade de até 30 t ha-1, a margem bruta foi de R$55.120,93 ha-1, com lucro operacional de R$54.653,22 ha-1. Na faixa de 30 a 40 t ha-1, esses valores subiram para R$61.643,02 ha-1 e R$61.088,19 ha-1, enquanto na produtividade acima de 40 t ha-1, a margem bruta atingiu R$68.269,69 ha-1, com um lucro operacional de R$67.639,05 ha-1. A Epagri/CEPA divulga anualmente relatórios atualizados dos custos de produção estimados das principais culturas no estado. Esses dados servem como balizadores para os produtores avaliarem se seus custos estão acima ou abaixo da referência estadual, atuando como um fomento para as tomadas de decisões.
