Análise comparativa da volatilidade de preços entre morango orgânico e convencional na grande Florianópolis (2022-2026)

Autores

  • Lucas Borges Epagri
  • João Rogério Alves Epagri
  • Rogério Goulart Jr Epagri
  • Andriele Caroline de Morais Epagri
  • Catherine Amorim Epagri
  • Emile Dayara Rabelo Santana Epagri

Palavras-chave:

Fruticultura

Resumo

O monitoramento realizado pela Epagri/Cepa registrou um Valor da Produção Agropecuária (VPA) recorde de R$74,9 bilhões em 2025, destacando a importância econômica das cadeias agrícolas  de alto valor agregado em Santa Catarina, entre elas a fruticultura. Nesse contexto, o cultivo do morango destaca-se tanto pelo valor comercial quanto pela crescente demanda por produtos orgânicos, os quais frequentemente apresentam diferenciação de preço e dinâmica própria de mercado. Com isso, compreender o comportamento dos preços desses produtos torna-se relevante para avaliar oportunidades e riscos no planejamento da produção e comercialização. O presente estudo objetivou analisar a dinâmica de comercialização na CEASA-São José, comparando a estabilidade de preços e o prêmio pago pelo morango orgânico em relação ao convencional. A metodologia consistiu na análise de dados mensais agrupados de preço do morango convencional e do morango orgânico, ambos comercializados em caixas contendo quatro embalagens  de 300 g, no período de maio de 2022 a abril de 2026. A série semanal foi agregada em médias mensais para compatibilização temporal, sendo calculados a média, o desvio padrão amostral e o coeficiente de variação (CV), além do prêmio percentual do orgânico, calculado como: PO% = [(preço do orgânico – preço do convencional)/preço do convencional] × 100 . Os resultados indicam que a série orgânica (n=34) apresentou preço médio de R$ 25,03(± R$ 4,57) e CV de 18%, enquanto a série convencional (n=34) registrou média de R$ 15,69 (± R$ 5,62) e CV de 36%. O CV do segmento convencional é o dobro do observado no orgânico, evidenciando uma estabilidade de preços substancialmente superior no mercado de produtos orgânicos. O prêmio médio do orgânico foi de +74,9%, com picos de +203,7%. Identificaram-se momentos de prêmio negativo, especificamente em maio de 2022, abril e maio de 2024 e abril de 2026, decorrentes de restrições de oferta comuns no período. Conclui-se que o morango orgânico apresenta menor volatilidade relativa (CV 18% vs. 36%), conferindo maior previsibilidade ao planejamento comercial e vantagem competitiva aos produtores, apesar da compressão do prêmio em períodos de choque de oferta no sistema convencional.

 

Palavras-chave: Fruticultura, prêmio de comercialização.

 

Apoio: Ao programa de monitoramento de preços da CEASA/SC e à Epagri/Cepa pela disponibilização dos dados setoriais.

Biografia do Autor

  • João Rogério Alves, Epagri

    Graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1994), Mestrado em Agroecossistemas pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), Especialização e Biossegurança pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005). Atualmente é Analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Cepa). Atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura familiar, levantamento e acompanhamento de preços agropecuários, preços de insumos e levantamentos socioeconômicos de cadeias produtivas, crédito rural, extensão rural.

  • Rogério Goulart Jr, Epagri

    Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (1996), mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000) e doutorado em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (2014). Atualmente é Agente de Pesquisa - Analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri-Cepa) da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Coordena os projetos de pesquisa junto a Epagri. Tem experiência na área de Economia e Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente, atuando nos seguintes temas: desenvolvimento socioeconômico, planejamento regional e urbano, desenvolvimento rural e sustentável, desenvolvimento territorial, economia agrícola, agrária e dos recursos naturais, economia do meio ambiente, engenharia econômica, gestão econômica de custos, levantamentos socioeconômicos, análise de cadeias produtivas e mercado de preços agrícolas.

Arquivos adicionais

Publicado

19-06-2026