Dinâmica populacional de Anastrepha fraterculus em diferentes hospedeiros e habitats na região do Alto Vale do Rio do Peixe
Palavras-chave:
Mosca-das-frutas, MAD, Dinâmica populacionalResumo
Espécies do gênero Anastrepha representam importante grupo de insetos-praga em sistemas frutícolas, estando presente em quase todas as regiões produtoras no Brasil. O conhecimento da dinâmica populacional ao longo do tempo e entre áreas é essencial para um manejo fitossanitário mais eficiente e para implementação de programas de manejo integrado. O objetivo deste trabalho foi avaliar a dinâmica populacional de Anastrepha fraterculus em diferentes ambientes, durante a safra 2025/2026, utilizando o índice MAD (moscas/armadilha/dia), bem como analisar a proporção entre machos e fêmeas coletados. O monitoramento foi realizado na Estação Experimental da Epagri, em Videira/SC, entre setembro de 2025 e março de 2026, em áreas de vegetação com frutíferas nativas e cultivos de ameixeira, pessegueiro, amora, kiwi e uva de mesa (cultivo protegido). Foram utilizadas armadilhas McPhail contendo atrativo alimentar Ceratrap® (100%), com coletas semanais. Os insetos capturados foram quantificados e identificados quanto à espécie e ao sexo, sendo os dados organizados por área e data para análise descritiva da flutuação populacional. Os resultados evidenciaram uma variação temporal definida, com incremento populacional a partir de dezembro e picos concentrados entre janeiro e fevereiro, seguidos por redução acentuada nos meses subsequentes. A distribuição espacial da população apresentou comportamento heterogêneo entre os habitats avaliados. A área com frutíferas nativas apresentou, de forma consistente, os maiores valores de MAD ao longo de praticamente todo o período, com picos próximos de 30 moscas/armadilha/dia, indicando maior estabilidade populacional e possível disponibilidade contínua de hospedeiros. Nos demais habitats, onde são aplicadas medidas de controle químico como isca tóxica e aplicação em área total, foram constatadas variações entre os hospedeiros. Na cultura da ameixa, foram constatados os maiores índices MAD durante o pico populacional temporal, com valores em torno de 4,0 moscas/armadilha/dia, sugerindo maior adequação da cultura para o desenvolvimento da espécie nesse intervalo, além da posição geográfica mais próxima da área das nativas. O pessegueiro apresentou valores intermediários, com picos próximos de 3,0 moscas/armadilha/dia, concentrados no período de maior disponibilidade de frutos. As áreas de amora e kiwi apresentaram baixa ocorrência de indivíduos, com valores máximos de aproximadamente 0,8 e 1,2 moscas/armadilha/dia, respectivamente, e incrementos pontuais ao longo do período. Na área de uva de mesa, não foram capturadas moscas ao longo de todo o ciclo produtivo da cultura, fato este relacionado ao uso de cobertura com tela de proteção, que atua como barreira física à entrada dos insetos, e mostrou-se eficiente no período avaliado. A análise da proporção sexual revelou predominância de fêmeas em relação aos machos, especialmente durante os períodos de maior densidade populacional, indicando possível intensificação da atividade reprodutiva nesses momentos. De forma geral, os resultados demonstram que a dinâmica populacional de A. fraterculus é fortemente influenciada pelo tipo de habitat, manejo fitossanitário adotado e pela disponibilidade de hospedeiros, evidenciando padrões temporais e espaciais distintos entre áreas de vegetação nativa e sistemas de cultivo. Isso corrobora o entendimento do padrão de infestação da mosca-das-frutas sul-americana entre as principais espécies frutíferas produzidas na região, fortalecendo o conhecimento associado e fundamentando a tomada de decisão em programas de manejo integrado da praga.
