Ocorrência do complexo de Declínio e Morte das Videiras em amostras submetidas à clínica fitossanitária em Santa Catarina
Palavras-chave:
Viticultura, Doenças de lenho, Pé-preto, Doença de petri, Podridão descendente, Diagnóstico fitossanitárioResumo
O complexo de Declínio e Morte das Videiras (DMV) constitui um importante problema fitossanitário da viticultura, estando associado à interação entre fatores abióticos e bióticos, com destaque para fungos dos gêneros Ilyonectria, Dactylonectria, Phaeomoniella e Botryosphaeria, além de insetos de solo como a cochonilha pérola-da-terra. O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência de DMV em amostras de videira encaminhadas para diagnóstico fitossanitário. Foi realizada análise descritiva dos registros de amostras processadas na Clínica de Diagnoses da Estação Experimental da Epagri, Videira, SC, no período de 17 de março de 2025 a 23 de abril de 2026, considerando informações de origem, variedade, porta-enxerto e diagnóstico final. Do total de amostras de videira avaliadas, 32,60% apresentaram relação com o complexo DMV com causas bióticas. Destacaram-se sintomas compatíveis com o complexo do pé-preto (Ilyonectria spp. e Dactylonectria spp.) e sintomas característicos da doença de Petri (Phaemoniella spp.), ambos observados em 64,3% das amostras. Também foi registrada a presença de Eurhizococcus brasiliensis (pérola-da-terra) em 28,6% dos casos. Ressalta-se, entretanto, que muitas amostras chegaram em estágio avançado de deterioração e infestação secundária, o que dificultou o isolamento e a confirmação etiológica dos agentes associados ao complexo do pé-preto em parte das amostras avaliadas. Outros agentes, como Botryosphaeria spp. e viroses, apresentaram menor frequência individual (7,1%). A análise das interações evidenciou elevada co-ocorrência entre pé-preto e doença de Petri (35,7%), além de associações com pérola-da-terra (21,4%), reforçando o caráter multifatorial do DMV. As amostras positivas foram provenientes de diferentes municípios, evidenciando ampla distribuição regional do problema, com maior frequência em Videira (35,7%), seguido por Pinheiro Preto, Fraiburgo e Curitibanos (14,3% cada), e menor representatividade em São Joaquim, Tangará e Arvoredo (7,1%). Foram registradas diferentes variedades de videira, incluindo cultivares americanas, viníferas e híbridos, bem como diferentes porta-enxertos, não sendo possível associar a ocorrência do DMV a um único genótipo ou sistema de cultivo. Ressalta-se ainda que também foram observadas amostras com sintomas de declínio associados a possíveis causas abióticas, como déficit e excesso hídrico, além de fatores relacionados ao manejo, evidenciando a complexidade do problema e a necessidade de avaliações complementares para a realização de um diagnóstico adequado. Os resultados evidenciam o caráter multifatorial do DMV em condições de campo e reforçam a importância do diagnóstico integrado para correta identificação dos agentes envolvidos, subsidiando estratégias de manejo e prevenção nos vinhedos.
