Uso de Floating e Mulching e armazenamento pré-plantio no pegamento e desenvolvimento de estacas de figueira ‘Roxo de Valinhos’
Palavras-chave:
Ficus carica L., Propagação vegetativa , SubstratoResumo
O sucesso da estaquia lenhosa em figueira (Ficus carica L.) depende, além da aplicação de auxinas, também da qualidade inicial do material propagativo e do microclima de propagação, fatores que afetam a dinâmica de reservas, o balanço hormonal e a formação de raízes adventícias. Objetivou-se avaliar o efeito do uso de floating e mulching e de três condições de armazenamento das estacas em pré-plantio sobre o pegamento e o comprimento de brotações de estacas lenhosas de figueira ‘Roxo de Valinhos’. O experimento foi conduzido em casa de vegetação da UFFS, campus Chapecó-SC, em 2025, em esquema fatorial 2×3: condição de plantio (tipo “floating”, adaptado do tomateiro, utilizando bandejas com substratos e cobertura “mulching” envoltas em lona dupla face na parte superior (F/M) e testemunha, sem floating e sem cobertura) × condicionamento das estacas pré-plantio (colhido e plantado imediatamente; armazenamento em balde com água por cinco dias em local sombreado; ou armazenamento seco por cinco dias em local sombreado). As estacas utilizadas eram lenhosas com dois nós e foram plantadas em substrato composto por mistura (1:1, v/v) de substrato inerte e solo, em delineamento inteiramente casualizado (DIC), com cinco repetições por tratamento, sendo a parcela constituída por cinco estacas, totalizando 25 estacas por tratamento e 150 estacas no ensaio. Aos 120 dias após o plantio, avaliaram-se o pegamento (presença simultânea de raízes e brotações) e o comprimento da parte aérea (cm) das estacas enraizadas; os dados foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk. Com a indicação de normalidade dos dados, utilizou-se os dados originais para à análise de variância e ao teste de Tukey (α=5%). O pegamento diferiu significativamente entre tratamentos (CV=18,48%): com superioridade nos tratamentos testemunha + plantio imediato (64%) e F/M + plantio imediato (52%), enquanto que os quatro tratamentos com armazenamento das estacas por cinco dias foram inferiores, cujos pegamentos foram testemunha + armazenamento da estaca em água (28%), F/M + armazenamento seco (28%), F/M + armazenamento com água (24%) e testemunha + armazenamento seco (16%). Para o comprimento das brotações (CV=14,51%), a combinação com F/M + armazenamento seco por cinco dias destacou-se em relação aos demais tratamentos com 8,15 cm, valor cerca de duas vezes superior aos demais tratamentos. Os tratamentos com F/M + armazenamento em água (4,35 cm) e com F/M + plantio imediato (4,17 cm) tiveram comportamento intermediário, seguidos por testemunho + armazenamento em seco (3,75 cm) e testemunho + armazenamento em água (3,20 cm), enquanto que o testemunho + plantio imediato apresentou o menor comprimento (2,85 cm). Os resultados evidenciam uma correlação entre as duas variáveis, sendo que o plantio imediato favorece o pegamento e dispensa o uso de cobertura, ao passo que o emprego de F/M, quando combinado ao armazenamento seco pré-plantio, potencializa o desenvolvimento da parte aérea das estacas remanescentes, pelas condições ambientais expostas e possivelmente pela manutenção dos hormônios endógenos presentes nas estacas. Conclui-se que o plantio imediato é preferível para maximizar o pegamento, sendo o uso de Floating/Mulching desnecessário nessa condição, enquanto o uso de Floating/Mulching combinado ao armazenamento seco por cinco dias maximiza o desenvolvimento da parte aérea das estacas enraizadas de figueira ‘Roxo de Valinhos’.
