Caracterização biométrica e rendimento pós-colheita de diferentes genótipos de noz-pecã da Região Noroeste do RS e Oeste de SC

Autores

  • Vanderlei Smaniotto UFFS
  • Clevison L. Giacobbo
  • Luciano Pessoa de Almeida

Palavras-chave:

Carya illinoinensis, Processamento pós-colheita, Qualidade de fruto.

Resumo

A cultura da nogueira-pecã (Carya illinoinensis) revela crescimento expressivo na fruticultura do Sul do Brasil, impulsionada pela excelente aceitação de suas amêndoas, pelos benefícios nutracêuticos e pelo elevado retorno econômico. Contudo, a eficiência no processamento pós-colheita e o rendimento líquido pós-beneficiamento estão diretamente condicionados às características físicas e morfológicas de cada genótipo. Este trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades físicas, biométricas e o rendimento pós-beneficiamento de seis genótipos de noz-pecã, visando identificar os genótipos com parâmetros de qualidade superior para o mercado. O experimento foi conduzido com frutos de diferentes genótipos de noz-pecã, os quais Choctaw, Barton, Wichita, Cape Fear, Mohawk e Mahan, oriundos de pomares de Ronda Alta e Iraí, no RS, e de Chapecó e Seara, em SC, sob o delineamento de blocos casualizados (DBC), estruturado com seis tratamentos de 100 frutos (genótipos) cada e quatro repetições de 25 frutos por repetição. As variáveis avaliadas compreenderam a classificação comercial de calibre, as dimensões físicas de diâmetro e comprimento dos frutos, o número de frutos por quilograma (frutos/kg), as massas da amêndoa e da casca, o rendimento percentual da relação amêndoa/casca, bem como a percentagem de amêndoas inteiras obtidas após o processo de beneficiamento. Os dados quantitativos foram submetidos à ANOVA pelo teste F e, subsequentemente, as médias foram discriminadas e agrupadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (p < 0,05). Os resultados evidenciaram uma variabilidade genética altamente significativa entre os genótipos em todas as variáveis analíticas testadas. Quanto ao calibre dos frutos, Mahan e Mohawk registraram a menor número de frutos por quilograma (102,70 kg e 106,61 kg, respectivamente), enquadrando-se estatisticamente na classe comercial supergrande. Ambos os genótipos superaram significativamente as da classe extragrande (Cape Fear com 134,40 frutos/kg e Wichita com 138,12 frutos/kg) e as da classe grande (Barton com 141,44 frutos/kg e Choctaw com 160,77 frutos/kg), demonstrando uma capacidade superior de acumulação de biomassa nos frutos. Relativamente ao rendimento (relação amêndoa/casca), parâmetro de máxima relevância comercial, a Mahan destacou-se com o maior valor percentual absoluto do ensaio (55,56%), integrando isoladamente o grupo estatístico superior do teste, seguida pela cultivar Barton, com um rendimento de 51,98%, diferindo estatisticamente da Wichita (41,5%), Mohawk (41%), e da Choctaw (39,39%) e Cape Fear, com o menor rendimento líquido (36,29%), diferindo de todas as demais devido ao peso excessivo da sua casca, que acumulou 63,71% de casca no somatório das repetições. Para a aceitação no mercado, a taxa de amêndoas inteiras após o beneficiamento é crítica, pois determina o preço do produto. Neste quesito, a cv. Barton obteve o melhor desempenho (93,73% de amêndoas inteiras), não diferindo estatisticamente de Cape Fear (92,59%) e Choctaw (91,02%). Este comportamento uniforme indica uma elevada facilidade de extração da casca sem danos ao cotilédone da noz. Em sentido oposto, a Wichita (68,43%) e a Mohawk (69,43%) apresentaram uma quebra acentuada, situando-se no grupo inferior de significância, o que desfavorece a sua escolha para a comercialização de amêndoas inteiras. Na caracterização dimensional, a Mahan exibiu a maior comprimento médio (52,18 mm), evidenciando um fruto alongado, enquanto Mohawk registou a maior dimensão equatorial média (22,61 mm), refletindo um formato arredondado. Conclui-se que existe uma marcada diferenciação agroindustrial entre as cultivares avaliadas. A Mahan é indicada para a maximização do rendimento de amêndoa e calibre, enquanto a cv. Barton consolida-se como a mais equilibrada para o processamento devido à sua excelente combinação de alto rendimento e máxima integridade física pós-beneficiamento.

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Publicado

19-06-2026