Análise de custos de produção referenciais de maçã, maracujá e banana em SC
Palavras-chave:
Economia agrícola, custo de produção, fruticulturaResumo
A agropecuária catarinense caracteriza-se pela sua diversificação produtiva, embora ainda apresente uma forte concentração econômica em poucas cadeias que detêm a maior parcela do valor total produzido. Em 2024, apenas quatro segmentos, suínos (21,8%), frangos (16,6%), leite (13,0%) e soja (8,6%), concentraram 60% do Valor da Produção Agropecuária (VPA) estadual. Nesse cenário, a fruticultura respondeu por 4,3% do montante, consolidando-se como uma contribuição estratégica para o desempenho global do agronegócio de Santa Catarina, que atingiu R$63,7 bilhões, conforme dados da Epagri (2025). Com o intuito de gerar indicadores técnicos e gerenciais, o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) realizou, em 2025, paineis de levantamento de custos para três culturas específicas: a maçã, no Planalto Sul; o maracujá amarelo azedo, no Litoral Sul; e a banana caturra, no Litoral Norte. A metodologia empregada consistiu em reuniões técnicas presenciais com agentes de toda a cadeia produtiva, incluindo técnicos da Epagri, produtores e representantes de sindicatos, cooperativas e associações. Nesses encontros, definiu-se a "propriedade típica" — aquela que ocorre com maior frequência em cada região. Os dados e informações levantadas foram registradas em planilhas previamente estruturadas pela Epagri/Cepa, que, após o consenso entre os participantes, serviram de base para a construção de coeficientes técnicos e de indicadores econômicos atualizados para as culturas. A análise do Custo Operacional Efetivo (COE), que integra a relação entre coeficientes técnicos e preços, além de gastos administrativos e financeiros, revelou que a produção de maçã (com produtividade de 50 mil kg/ha) apresentou o maior custo entre as culturas analisadas, seguida pelo maracujá amarelo azedo (28 mil kg/ha) e pela banana caturra (30 mil a 40 mil kg/ha). Ao observar a composição desses custos, nota-se que na maçã e no maracujá a mão de obra é o componente mais importante, representando 35% e 47% do total, respectivamente. Já no cultivo da banana-caturra, os insumos assumem maior participação, com 40% do COE, seguidos pela mão de obra (33%) e pelos serviços mecânicos (15%). Somando-se ao COE, a depreciação de máquinas e implementos nas culturas da maçã e do maracujá também apresenta valores expressivos devido ao uso intensivo de mecanização. Diante de um cenário de crise energética e instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que impacta a oferta e o preço dos combustíveis fósseis, torna-se fundamental que os produtores adotem estratégias para otimizar seus ativos, reduzindo tanto a depreciação unitária quanto o custo com serviços mecânicos. Em última análise, a significativa participação da mão de obra nos custos da fruticultura, variando entre 33% e 47%, reforça o papel vital desta atividade na promoção do desenvolvimento socioeconômico e na sustentabilidade de pequenas e médias propriedades, gerando empregos e garantindo segurança alimentar.
