Desempenho produtivo da variedade ‘BRS Pérola’ sob diferentes sistemas de poda no Alto do Vale do Rio do Peixe
Palavras-chave:
Vitis sp., fruticultura, uva branca, carga de gemasResumo
A busca por variedades brancas sem semente para consumo in natura representam uma demanda do mercado consumidor, uma vez que ainda são poucas as opções disponíveis para o Sul do Brasil. A uva de mesa ‘BRS Pérola’, variedade recentemente lançada pela Embrapa, tem se mostrado uma opção viável para o cultivo em sistema protegido, especialmente quando conduzida sob práticas de manejo adequadas. Dentre essas práticas, a poda é fundamental, pois determina a quantidade de gemas mantidas na planta, o que afeta diretamente a brotação, a formação de cachos, produtividade e qualidade sensorial. Assim, é necessário adequar o sistema de poda e a carga de gemas para equilibrar o crescimento da planta com a produção, o que permite que a variedade expresse seu potencial produtivo de forma mais eficiente. Esse ajuste é especialmente importante por se tratar de uma variedade que pode apresentar produtividade variável e, em alguns anos, insuficiente. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diferentes sistemas de poda e cargas de gemas nos componentes produtivos, a produtividade e qualidade de frutos da videira ‘BRS Pérola’, com o intuito de identificar o manejo mais adequado para aumentar o rendimento das plantas. O experimento foi implantado em 2023 na área experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - EPAGRI, em Videira, SC. As plantas foram conduzidas em sistema em Y sobre o porta-enxerto ‘Paulsen 1103’, no espaçamento de 3 × 2 m, sob cobertura plástica e com sistema de irrigação. Foram avaliados cinco sistemas de poda: T1: poda curta, em cordão esporonado, com 40 gemas planta-1; T2: poda mista com 4 varas, mantendo 60 gemas planta-1; T3: poda mista com 6 varas, com 70 gemas planta-1; T4: poda longa, com 2 Guyots + 4 esporões, totalizando 32 gemas planta-1; e T5: poda longa, com 3 Guyots + 4 esporões, mantendo 44 gemas planta-1. Foram avaliadas a massa de cacho, a produção por planta e a produtividade estimada, bem como a qualidade química dos frutos, por meio dos teores de sólidos solúveis (ºBrix) e acidez titulável (AT). A massa média dos cachos não diferiu entre os tratamentos, entretanto observou-se variação da produtividade, em função da carga de gemas. Para produtividade, destacaram-se a poda longa com 3 Guyots + 4 esporões (T5) e a poda mista com 6 varas (T3), com 18,84 e 18,14 t ha-1, respectivamente. Em contrapartida, a poda curta (T1) apresentou o menor rendimento, com 9,38 t ha-1, valor aproximadamente 50% inferior ao tratamento mais produtivo. A poda mista com 4 varas (T2) apresentou produtividade intermediária, com 14,02 t ha-1, mostrando que o aumento da carga de gemas pode favorecer a produção, mas não garante, isoladamente, o máximo rendimento da videira ‘BRS Pérola’. Para as variáveis fisico-químicas dos frutos, não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos. Os valores variaram de 17,38 a 19,13 °Brix e de 41,30 a 45,37 meq L-1 de AT. Os sistemas de poda influenciaram o desempenho produtivo da videira ‘BRS Pérola’ na safra avaliada, principalmente pela alteração da produtividade final, sem comprometer a qualidade físico-química dos frutos. A poda longa com 3 Guyots + 4 esporões e a poda mista com 6 varas apresentaram os maiores rendimentos, indicando maior potencial produtivo nas condições deste estudo. No entanto, por se tratar de avaliação realizada em apenas uma safra, os resultados devem ser interpretados como uma resposta inicial da cultivar aos diferentes manejos de poda. Assim, novas avaliações em ciclos consecutivos são necessárias para confirmar a estabilidade produtiva desses sistemas e subsidiar recomendações mais seguras para o cultivo da ‘BRS Pérola’ em sistema protegido.
