Avaliação da resistência in vitro da cultivar Soreli (Rpv3 e Rpv12) frente a diferentes isolados de Plasmopara viticola de Santa Catarina.

Autores

  • Fábio Ribeiro de Freitas Epagri
  • Leocir José Welter
  • Marco Antônio Dalbó
  • Mariane Ruzza Schuck
  • André Luiz Kulkamp de Souza

Palavras-chave:

Melhoramento genético vegetal, Videira, Resistência genética, Plasmopara viticola, Rpv

Resumo

O cultivo da videira é uma atividade soscioeconômica de grande relevância no Brasil e no mundo. Contudo, problemas fitossanitários são um dos fatores limitantes a expansão da atividade vitivinícola no Brasil. O míldio da videira, causado pelo oomiceto Plasmopara viticola, é uma das principais causas de perdas de produtividade e qualidade. Dentre as principais estratégias de manejo de doenças está o uso de cultivares resistentes ao míldio da videira. Para isso, é fundamental que se entenda a interação planta patógeno e a eficácia de genes de resistência ao míldio da videira (Rpv) quando expostos a diferentes isolados de P. viticola. Dessa forma, o presente estudo teve por objetivo avaliar a severidade da doença e o grau de  resistência performado pelo cultivar  de videira ‘Soreli’ quando inoculado por diferentes isolados de P. viticola provenientes de diferentes municípios do estado de Santa Catarina. Os experimentos foram conduzidos utilizando discos foliares dos genótipos ‘Soreli’ portador da combinação dos genes Rpv12 e Rpv3, e da cultivar suscetível ‘Chardonnay’. Os discos foram inoculados com suspensões de isolados monospóricos coletados nos município de Curitibanos (ISO13), São Joaquim (ISO26), Urussanga (ISO27), Água Doce (ISO49) e Videira (ISO51) ajustadas para a concentração de 5 × 10⁴ esporângios mL⁻¹. A inoculação foi realizada em câmara de fluxo laminar por meio da deposição de uma gota de 30 µL da suspensão sobre o centro dos discos foliares. Após incubação inicial em ambiente escuro por 24 horas, as placas foram transferidas para câmara de crescimento a 24 °C, com fotoperíodo de 12 horas, onde permaneceram por seis dias. O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × 5 (duas cultivares × cinco isolados), com cinco repetições por tratamento. Foram feitas avaliações de Severidade da doença e grau de resistência pela escala OIV 452-1. Os resultados apontaram efeito significativo somente em função dos cultivares testados. A cultivar ‘Chardonnay’ apresentou níveis de severidade da doença superiores a 28% e reação se suscetibilidade para todos os isolados avaliados. Já o cultivar Soreli se mostrou imune a todos os isolados de P. Viticola, não tendo sido identificado exporulaões de míldio da videira, indicando elevada eficiência da resistência conferida pela combinação dos genes Rpv3 e Rpv12. Dentre os isolados não se observou variabilidade na agressividade neste experimento. A interação entre cultivar e isolado não foi significativa, indicando comportamento consistente da resistência frente aos diferentes isolados. Conclui-se que o cultivar Soreli apresenta resistência estável ao míldio da videira frente à variabilidade dos isolados de P. viticola avaliados. Os resultados mostram que a piramidação dos genes Rpv3 e Rpv12 é uma alternativa eficiente no melhoramento genético da videira. Os dados do presente estudo contribuem para o desenvolvimento de cultivares com resistências duráveis e eficientes para as condições do sul do Brasil.

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Publicado

19-06-2026