Ácido salicílico e anelamento para floração e frutificação de oliveiras sob frio insuficiente

Autores

  • Eduardo Cesar Brugnara EPAGRI
  • Rafael Roveri Sabião EPAGRI

Palavras-chave:

Olea europaea, indução floral, dormência

Resumo

A olivicultura enfrenta, na maioria das regiões brasileiras, o desafio do frio hibernal insuficiente para a indução floral adequada, resultando em baixa intensidade de floração das oliveiras (Olea europaea L.), produtividade irregular e reduzida carga de frutos. O estudo avaliou os efeitos da aspersão de ácido salicílico (AS) em diferentes concentrações e do anelamento do tronco sobre a floração, frutificação e produtividade dos cultivares Arbequina e Koroneiki. O experimento foi instalado em pomar plantado em novembro de 2018, em Chapecó (SC) (658 m de altitude, 27°04'57'' S), com delineamento em blocos casualizados com parcelas subdivididas: cultivares como parcela principal e tratamentos de indução como subparcelas (três árvores cada). Os tratamentos consistiram em pulverizações de AS nas concentrações 0, 100, 200, 400 e 800 ppm, além do anelamento do tronco como tratamento adicional, aplicados anualmente nos primeiros dias de junho (as aspersões foram repetidas em julho de 2024), nas safras 2023/24, 2024/25 e 2025/26. As avaliações incluíram porcentagem de gemas com inflorescências, flores por inflorescência, taxa de frutificação (em ramos marcados) e produtividade por árvore. Na safra 2023/24, a porcentagem de gemas com inflorescências foi baixa (média 4,75%), com efeito significativo apenas do anelamento, que elevou a floração para 12,46% frente a menos de 5,4% nas plantas pulverizadas. A produção também foi afetada: árvores aneladas produziram 0,305 kg, superando os demais tratamentos, exceto 200 ppm de AS. Na safra 2024/25, a floração foi mínima — nenhum ramo marcado de 'Koroneiki' floresceu, enquanto apenas 0,28% dos de 'Arbequina' floresceram — e a produção foi praticamente nula. A safra 2025/26 apresentou intensidade de floração mais elevada: 'Arbequina' floresceu em 24,57% das gemas avaliadas, significativamente mais que 'Koroneiki' (17,54%). Apesar de não ter havido efeito significativo na taxa de floração e na frutificaçao quando avaliados os ramos marcados, a produção de frutos 'Arbequina' respondeu positivamente ao AS: a dose de 800 ppm resultou em 21,32 kg/árvore, contra 15,24 kg na dose zero. O modelo linear ajustado estimou incremento de 0,8 kg para cada 100 ppm adicional de AS (R²=0,28; p=0,01). 'Koroneiki' não responderam significativamente aos tratamentos na última safra avaliada. O acúmulo de horas e unidades de frio foi melhor em 2025/26. Conclui-se que o anelamento promove maior floração e produção, mas é inconsistente entre safras. Da mesma forma o ácido salicílico demonstrou potencial para incrementar a produtividade de 'Arbequina'. Porém, os tratamentos precisam ser mais bem avaliados em condições de frio menos limitantes e com diferentes datas de aplicação.

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Publicado

19-06-2026