Potencial agronômico e qualitativo da videira ‘Borsmenta’, variedade de uva branca húngara, resistente a doenças no Sul do Brasil

Autores

  • Alberto Fontanella Brighenti Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC)
  • Keila G. Aloy Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais, Universidade Federal de Santa Catarina (RGV-UFSC)
  • Valdecir Perazzoli Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Estação Experimental de Videira
  • Camila Castellar Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Estação Experimental de Videira
  • Vinícius Caliari Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Estação Experimental de Videira
  • Vivian Burin Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC)
  • André Luiz K. de Souza Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Estação Experimental de Videira

Palavras-chave:

Desempenho viti-enológico, resistência à doenças fúngicas, sustentabilidade

Resumo

Em regiões onde o clima é mais favorável ao surgimento de doenças fúngicas da videira, especialmente no meio oeste de Santa Catarina onde ocorre elevados índices de umidade, o impacto negativo tende a se refletir na produtividade e qualidade das uvas, principalmente em uvas Vitis vinifera que são mais suscetíveis. O uso de variedades com menor suscetibilidade a patógenos configura-se como uma alternativa viável e sustentável, contribuindo para o desenvolvimento da viticultura regional e ampliando o leque de opções disponíveis aos produtores. Neste contexto, o trabalho teve como objetivo avaliar a fenologia, produção e qualidade da variedade branca húngara resistente às doenças fúngicas da videira, Borsmenta cultivada sob as condições edafoclimáticas do meio-oeste catarinense. A variedade estudada foi a branca Borsmenta, pertencente ao grupo das variedades PIWI, desenvolvidas por meio da piramidação de genes de resistência nos programas de melhoramento do Instituto de Investigação de Viticultura e Enologia da Universidade de Pécs, na Hungria. O vinhedo experimental está situado na estação experimental da EPAGRI, no município de Videira (27°01’S; 51°08’W; altitude de 840 m). A variedade PIWI branca Calardis Blanc foi utilizada como testemunha, principalmente no que se refere a comparação dos parâmetros agronômicos. O porta-enxerto empregado foi Paulsen 1103, com espaçamento de 1,2 m entre plantas e 3,0 m entre fileiras, sob sistema de condução em espaldeira. As avaliações foram realizadas por três safras consecutivas, sendo 2024, 2025 e 2026. Para as avaliações fenológicas foi utilizada a escala fenológica de Baillod & Baggiolini (1993), considerando as principais fases: brotação, floração, maturação e colheita. Para a produtividade, foram avaliados produtividade por planta (kg), número de cachos por planta e massa média de cachos (g). A qualidade das uvas foi determinada por meio de sólidos solúveis (°Brix), acidez total ( mEq L-¹) e pH. Os vinhos elaborados desta variedade foram avaliados sensorialmente por um painel de provadores treinados. A variedade apresentou ciclo médio de 141 dias, com início da brotação em média, para 16 de setembro, plena floração em 26 de outubro, início da maturação em 17 de janeiro e colheita concentrada na primeira semana do mês de fevereiro. A testemunha Calardis Blanc apresentou ciclo médio de 132 dias, com início médio de brotação em 18 de setembro e colheita 22 de janeiro. A produtividade média observada foi de 3,4 kg por planta, com massa média de cachos de 153 g e, aproximadamente, 32 cachos por planta. Em relação à qualidade das uvas, a acidez total apresentou valor médio de 107,9 mEq L-¹, enquanto os sólidos solúveis atingiram aproximadamente 18 °Brix e pH médio de 3,19. Nas avaliações sensoriais, o vinho apresentou um perfil de aromas de média intensidade, com notas herbáceas, frutas brancas e cítrico, como limão siciliano. A acidez total chamou atenção pelo elevado valor obtido, também refletido na percepção da acidez do vinho, o que pode ser um ponto considerável para uma variedade a ser utilizada na elaboração de espumantes. A variedade Borsmenta potencial para cultivo, especialmente voltado à elaboração de vinhos brancos base espumantes, devido à acidez elevada e pH mais baixo. 

Biografia do Autor

  • Alberto Fontanella Brighenti, Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC)

    Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2007). Mestre em Produção Vegetal pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2010). Doutor pelo programa de pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014). Atuou como pesquisador na Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) entre 2014 e 2019. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Catarina, atuando principalmente nos seguintes temas: fruticultura de clima temperado e viticultura em regiões de altitude elevada.

Arquivos adicionais

Publicado

19-06-2026