Comportamento da umidade do solo em argissolo e neossolo quartzarênico na região produtora de maracujá-azedo do sul catarinense

Autores

  • Márcio Sônego Epagri
  • Dr. Henrique Belmonte Petry EPagri
  • Dra. Marina Martinello Back Epagri

Palavras-chave:

fruticultura, Passiflora edulis, manejo de irrigação, física do solo

Resumo

A suplementação de água por irrigação tem se tornado prática comum em cultivos de maracujá-azedo na região produtora do litoral sul de Santa Catarina. O clima local é o subtropical úmido com verão quente, sem estação seca definida (Cfa, Köppen-Geiger), com eventuais períodos de estiagem e consequente deficiência hídrica para as plantas. O objetivo deste trabalho foi estudar o comportamento do teor de umidade do solo e a necessidade de irrigação da cultura do maracujazeiro em dois ambientes distintos da região: argissolo e neossolo quartzarênico. O teor de argila foi 30,0% no argissolo e 7,0% no neossolo quartzarênico, com valores de capacidade de campo e de ponto de murcha permanente de 33,3% e 15,0% no argissolo, e 9,2% e 3,1% no neossolo quartzarênico. Foi instalado um aparelho do tipo TDR na Estação Experimental da Epagri de Urussanga (argissolo), e no Campo Experimental de Jaguaruna (neossolo quartzarênico), para medição da umidade volumétrica do solo na camada inicial de 20 cm, com acesso remoto aos dados em tempo real via aplicativo. Considerou-se como fator de segurança de irrigação 0,5 (f=0,5) o que resultou em umidade crítica de 24,0% no argissolo e 6,1% no neossolo quartzarêncio, com necessidade de irrigação suplementar abaixo destes valores. Durante os 278 dias do presente estudo (28/08/2025 a 05/05/2026), a umidade média do solo foi de 30,0% em Urussanga, com valor máximo de 34,9%, valor mínimo de 22,2%, e precipitação total de 1.399,9 mm distribuídos em 108 dias de chuva. Em Jaguaruna estes valores foram de 8,5% (média), 16,4% (máximo) e 1,0% (mínimo), 754,4 mm (precipitação) e 84 dias de chuva. Em ambos os locais não houve necessidade de irrigação suplementar nos meses de agosto, setembro e outubro, pois a umidade do solo se manteve acima do valor crítico. Jaguaruna apresentou 65 dias com a umidade do solo abaixo do valor crítico, a saber: novembro (03 dias), dezembro (03 dias), janeiro (09 dias), fevereiro (10 dias), março (11 dias) e abril (23 dias). Em Urussanga foram 36 dias abaixo do valor crítico: dezembro (07 dias), março (05 dias) e abril (23 dias). Portanto, em Jaguaruna houve maior número de dias com estresse hídrico e assim maior risco de perda de produtividade, período que se estendeu de novembro até abril. Inclusive haveria risco de perda total de lavouras de maracujá não irrigado na região de Jaguaruna, pois foram 16 dias com a umidade do solo abaixo do ponto de murcha permanente. Em Urussanga houve problema de estresse hídrico em dezembro e depois somente em março e abril, sem nunca o solo ter sido tão seco quanto o ponto de murcha permanente, pois ali as chuvas foram mais frequentes como uma característica climatológica por estar mais próximo às encostas da Serra Geral, além do argissolo ter maior capacidade de armazenamento de água comparado ao neossolo quartzarênico. Conclui-se que em lavouras de maracujazeiro-azedo a irrigação suplementar seria obrigatória nas áreas litorâneas de neossolos quartzarênicos, devido ao maior risco de estresse hídrico no solo, enquanto que nos argissolos do interior da região a irrigação suplementar seria importante para garantir a regularidade produtiva.

Apoio: FAPESC financiou o projeto de pesquisa.

Biografia do Autor

  • Dr. Henrique Belmonte Petry, EPagri

    Engenheiro Agrônomo, MSc e Dr em Fruticulturea. Pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Urussanga-SC.

  • Dra. Marina Martinello Back, Epagri

    Engenheira Agrônomo, MSc e Dr em Fruticultura, Pesquisadora da Epagri na Estação Experimental de Urussanga

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Publicado

19-06-2026