Sistemas de irrigação e a produtividade do maracujazeiro-azedo em três ciclos de produção em Urussanga (SC)

Autores

  • Márcio Sônego Epagri
  • Dr. Henrique Belmonte Petry Epagri
  • Dra. Marina Martinello Back Epagri

Palavras-chave:

fruticultura, Passiflora edulis, gotejamento, microaspersão

Resumo

O cultivo de maracujá-azedo (Passiflora edulis Sims.) é atividade agrícola consolidada na região Litoral Sul de Santa Catarina. Com o objetivo de avaliar sistemas de irrigação localizada na cultura do maracujá-azedo, um experimento foi conduzido em Urussanga (SC), na Estação Experimental da Epagri, em três safras consecutivas implantadas em agosto de 2022, 2023 e 2024. O clima é o subtropical úmido com verão quente sem estação seca definida (Cfa, Köppen-Geiger). O solo é do tipo argissolo com 30,0% de argila e valores de umidade volumétrica do solo de 33,3% na capacidade de campo (CC) e 15,0% no ponto de murcha permanente (PM). O plantio foi feito com mudas grandes com altura de 50 a 100 cm, no espaçamento de 3,0 m entre filas e 1,5 m entre plantas (2.222 plantas/ha), e as plantas foram conduzidas no sistema de latada com 2,0 m de altura, com práticas de cultivo convencional e  polinização natural. Os tratamentos consistiram de três sistemas de irrigação localizada: uma fita de gotejadores na linha de plantio, espaçados de 0,40 m e vazão de 1,7 L/h; duas dessas fitas na linha de plantio; microaspersão do tipo bailarina com emissores espaçados de 3,0 m e vazão de 40 L/h/emissor; testemunha sem irrigação. Cada tratamento tinha 03 linhas de plantio com 50,0 m de extensão, e na linha central foram demarcadas 07 parcelas de 9,0 m2 de área de parreira onde os frutos eram colhidos. O teor de umidade volumétrica do solo na camada superior de 20 cm foi medida por TDR, com um sensor em cada tratamento de irrigação. O sistema de irrigação suplementar era acionado em dias com umidade volumétrica igual ou menor do que 24,0%, valor médio entre a CC e o PM (f=0,5). Os maracujás eram colhidos e pesados semanalmente de janeiro a julho, durante 22 semanas. A produtividade média de cada tratamento nos três anos consecutivos foi (t/ha): 35,1, 40,4 e 43,7 com microaspersão; 34,2, 39,3 e 41,8 com dois gotejamentos; 31,1, 36,5 e 38,8 com um gotejamento; 27,2, 37,8 e 32,1 na testemunha sem irrigação. Na safra 22/23 houve diferença significativa entre os tratamentos, tendo a microaspersão superado a testemunha (35.098 vs 27.341 kg/ha). Na safra 23/24 não houve diferença significativa entre tratamentos (média geral de 38.504 kg/ha), possivelmente devido à pluviosidade bem distribuída. Na safra 24/25 a irrigação foi determinante: microaspersão (43.733 kg/ha) e dois gotejamentos (41.785 kg/ha) superaram significativamente a testemunha (32.062 kg/ha). Em valores absolutos a produtividade na microaspersão foi superior nas três safras, seguido de dois gotejamentos, um gotejamento e sem irrigação. Conclui-se que a irrigação localizada aumenta a estabilidade produtiva e potencializa a produtividade do maracujazeiro-azedo no Sul Catarinense, mitigando riscos de quebra de safra observados na testemunha.

Apoio: FAPESC financiou o projeto de pesquisa.

Biografia do Autor

  • Dr. Henrique Belmonte Petry, Epagri

    Engenheiro Agrônomo, MSc e De em Fruticultura, Pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Urussanga

  • Dra. Marina Martinello Back, Epagri

    Engenheira Agrônomo, MSc e Dr em Fruticultura, Pesquisadora na Epagri Estação Experimental de Urussanga

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Publicado

19-06-2026