Trocas gasosas e nutrição foliar da videira Vitis vinifera L. var. Viognier sob diferentes sistemas de manejo do solo em região de altitude
Palavras-chave:
fotossíntese, nutrição mineral, eficiência fisiológica, diversidade vegetal.Resumo
A resposta fisiológica da videira às condições de manejo do solo e à variabilidade climática pode ser avaliada por meio das trocas gasosas e do estado nutricional das plantas. O objetivo deste trabalho foi avaliar variáveis de trocas gasosas e teores foliares de nitrogênio (N) e molibdênio (Mo) em videira Vitis vinifera L. var. Viognier, em Campo Largo, PR, nas safras 2023/24, 2024/25 e 2025/26. O experimento foi conduzido em delineamento de blocos ao acaso, com cinco tratamentos: T1 (plantas espontâneas -trevo branco/inverno e cynodon/verão - com herbicida na linha), T2 (plantas espontâneas sem herbicida), T3 (aveia-preta no inverno e trevo+capim angola no verão), T4 (ervilhaca no inverno e capim mombaça no verão) e T5 (mix de inverno: aveia-preta + centeio + ervilhaca + nabo forrageiro; mix de verão: cynodon + trigo mourisco + capim mombaça). As avaliações foram realizadas na primeira semana de dezembro de cada safra, incluindo fotossíntese líquida (A), condutância estomática (gs), concentração interna de CO₂ (Ci), transpiração (E), eficiência de carboxilação (A/Ci), índice SPAD e teores foliares de N e Mo, com análise estatística pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05). Na safra 2023/24, não foram observadas diferenças entre tratamentos para a maioria das variáveis fisiológicas, com valores médios de A entre 12,28 e 14,61 µmol m⁻² s⁻¹, indicando baixa atividade fotossintética. Na safra 2024/25, os tratamentos com plantas de cobertura, especialmente T3 e T5, apresentaram maiores taxas fotossintéticas (31,97 e 32,83 µmol m⁻² s⁻¹), associadas a maiores valores de gs e eficiência A/Ci, indicando melhor desempenho fisiológico. Já em 2025/26, observou-se manutenção de altas taxas de A (até 30,45 µmol m⁻² s⁻¹) e aumento expressivo da eficiência A/Ci (até 0,235), acompanhado de redução da concentração interna de CO₂, evidenciando maior eficiência metabólica. Os teores foliares de N variaram entre safras, com maiores valores em 2023/24 e redução em 2025/26, enquanto o Mo apresentou aumento expressivo em 2024/25, especialmente nos tratamentos com cobertura. De forma geral, os sistemas com plantas de cobertura promoveram maior eficiência fisiológica e melhor ajuste entre processos difusivos e metabólicos da fotossíntese, contribuindo para maior desempenho da videira em condições de variabilidade climática, destacando-se como estratégia importante para a sustentabilidade da viticultura de altitude.
