Estratégia de manejo químico da Podridão Floral dos Citros baseada em previsão climática
Palavras-chave:
citros, limão, citricultura, fitopatologia, doença, alerta, fitossanitárioResumo
A Podridão Floral dos Citros (PFC), causada por diferentes espécies do gênero Colletotrichum, representa um dos maiores desafios fitossanitários no cultivo da limeira-ácida ‘Tahiti’ (Citrus × latifolia Tan.), especialmente sob condições de alta precipitação pluvial. A doença provoca a queda prematura de flores e frutos jovens, deixando os cálices aderidos e superdesenvolvidos (estrelinhas). O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia de estratégias envolvendo uma sequência de pulverizações de fungicidas baseadas em alerta climático para o controle da PFC e no progresso temporal da doença. O experimento foi conduzido em pomar (safra 2025/26) da área experimental da Epagri/Cepaf em Chapecó, SC, com plantas de limeira-ácida ‘Tahiti’ Clone IAC-5 sobre Poncirus trifoliata var. monstrosa ‘Flying Dragon’. Os fungicidas Score Flex® (0,25mL/L) - propiconazol (triazol) e difenoconazol (triazol) - e Nativo® (0,6mL/L) - trifloxistrobina (estrobilurina) e tebuconazol (triazol) - foram adotados, comparando-se a estratégia com plantas não tratadas (testemunha). Cada tratamento foi aplicado em 14 plantas por tratamento, das quais se marcou um galho (15-20cm) para avaliação do florescimento e sintomas. Pulverizações foram estrategicamente realizadas seguindo a previsão climática da Epagri - Ciram (precipitação por mais de 48h ou acima de 20mm), durante as fases mais críticas de botão branco pequeno (R3), botão expandido (R4) e flor aberta (R5), nas seguintes datas: 27/07 (Score Flex®), 01 e 05/08 (Nativo®), 18 e 22/08 (Score Flex®), 27/08 (Nativo®), 03/09 (Score Flex®), 09/09 (Nativo®). As avaliações ocorreram entre 19/08 e 25/09, utilizando-se escala de notas de 0 a 3 (0= ausência da doença; 1= sintoma leve, com 1 pétala sintomática na flor; 2= moderado, duas a tres pétalas; 3= severo, todas as pétalas com sintomas). Foram calculadas a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) e a correlação com dados pluviométricos. A estratégia reduziu 53,7% a AACPD (46,45 unidades-dia) em comparação ao controle (100,28 unidades-dia). A análise estatística (teste t de Student) revelou diferença significativa (p= 0.0042; tcalc.= 6.28) na última avaliação. Observou-se correlação direta entre o pico de precipitação (68mm em 18/09) e a explosão de severidade na testemunha. A estratégia de manejo químico não apenas reduziu o pico, mas retardou o início da infecção severa. Diretrizes para a próxima safra: monitorar o índice pluviométrico para antecipar aplicações preventivas; manter o tratamento atual, dado que a eficácia superou 50% de redução da AACPD, e aumentar a frequência de monitoramento se houver previsão de chuva acima de 20mm.
