Manejo da Podridão Floral do Citros e seu impacto na produção e calibre de frutos de lima-ácida ‘Tahiti’
Palavras-chave:
florescimento, fitossanidade, doença fúngica, fruit set, rendimentoResumo
A lima-ácida ‘Tahiti’ (Citrus × latifolia Tan.) não é economicamente relevante em Santa Catarina devido à alta incidência da Podridão Floral dos Citros (PFC), causada pelo complexo Colletotrichum. A época de floração (julho a setembro) é chuvosa, favorecendo epidemias quando o período de molhamento foliar contínuo ultrapassa 48 horas, causando abortamento floral e queda de frutos. O experimento foi conduzido em pomar (safra 2025/26) da Epagri/Cepaf em Chapecó, SC, com plantas de limeira-ácida ‘Tahiti Clone IAC-5’ sobre Poncirus trifoliata var. monstrosa ‘Flying Dragon’). Foram comparados o uso combinado e sequencial de fungicidas - Score Flex® (propiconazol e difenoconazol, ambos triazóis) e Nativo® (trifloxistrobina - estrobilurina e tebuconazol - triazol) com a Testemunha (sem uso de controle químico), com 15 repetições. As parcelas foram compostas por plantas centrais, isoladas do efeito de bordadura, onde uma planta foi considerada a unidade experimental (30 plantas avaliadas no total). Ao final do período crítico, foram contabilizadas oito aplicações dos produtos comerciais alternadamente. Os dados de colheita (realizada entre janeiro e fevereiro de 2026) foram submetidos à Análise de Variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade. A análise confirmou o impacto devastador da PFC na limeira-ácida ‘Tahiti’. A proteção com fungicida evitou parcialmente a infecção floral, garantindo uma retenção de frutos 67,8% superior (p<0,001) e um rendimento em massa 28,1% maior (p=0,041). Contudo, identificou-se uma correlação inversa em relação ao calibre da fruta. Plantas tratadas produziram frutos significativamente mais leves (63,7g) frente à testemunha (83,5g) (p<0,05). Na testemunha, o abortamento natural propiciou o maior calibre dos frutos remanescentes. O efeito fonte-dreno foi evidenciado pelo excesso de carga nas plantas tratadas, o que acentuou a competição por fotoassimilados. Esse cenário, somado ao pegamento de floradas subsequentes e à ausência de irrigação em porta-enxerto sensível ao déficit hídrico ('Flying Dragon'), resultou na redução do calibre médio dos frutos no manejo químico. A aplicação sequencial de triazóis e triazol + estrobilurina, baseada em alertas de molhamento (>48h), mostrou ser altamente eficaz no controle da PFC. O manejo assegura a produtividade, justificando o investimento.
