OFICINAS TERAPÊUTICAS EM SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

  • Ana Luiza de Mendonça Oliveira Universidade Federal de Uberlândia - MG
  • Rodrigo Sanches Peres Universidade Federal de Uberlândia - MG

Resumo

A Reforma Psiquiátrica Brasileira visa à transformação de práticas, saberes e valores em prol do redirecionamento do modelo assistencial em saúde mental com base na lógica da atenção psicossocial. As oficinas terapêuticas são um dos dispositivos que vêm sendo utilizados com essa finalidade, e podem ser definidas como um conjunto diversificado de atividades realizadas em grupo com a orientação de variados profissionais, monitores e/ou estagiários. O Ministério da Saúde distingue três tipos básicos de oficinas terapêuticas: expressivas, geradoras de renda e de alfabetização. O presente estudo teve como objetivo, por meio de uma revisão integrativa da literatura, estabelecer um panorama da produção científica sobre as oficinas terapêuticas em saúde mental. Mais especificamente, buscou-se responder à seguinte questão norteadora: Quais são as principais tendências apresentadas pelas publicações veiculadas no formato de artigos e dedicadas ao assunto em termos: (1) do tipo de estudo, (2) do objetivo, (3) dos participantes, (4) do contexto, (5) do tipo de oficina abordada e (6) dos achados. O presente estudo foi orientado pelas diretrizes estabelecidas para o desenvolvimento de revisões integrativas da literatura, as quais definem procedimentos metodológicos para a localização, a seleção e a avaliação das referências que integrarão o corpus. Para subsidiar a localização das referências, foram consultadas as bases de dados SciELO–Brasil, PePSIC e BVS–Psi. As consultas foram concluídas no dia 07 de outubro de 2017, sendo que, para viabilizar um levantamento bibliográfico abrangente, não foram utilizados quaisquer limites – em relação à data de publicação ou idioma, por exemplo – oferecidos pelas bases de dados. As referências localizadas foram selecionadas em função da pertinência quanto ao foco do presente estudo e, em seguida, avaliadas independentemente de acordo com um conjunto de dimensões alinhadas à questão norteadora do presente estudo. O corpus foi constituído por 27 referências, sendo que 13 foram classificadas como estudos empíricos e 14 como relatos de experiência. Basicamente, os estudos empíricos buscaram demarcar opiniões, crenças e posicionamentos sobre as oficinas terapêuticas, por parte de profissionais de saúde, usuários e seus familiares. Já os relatos de experiência, em linhas gerais, apresentaram como objetivo descrever aspectos práticos acerca da realização de oficinas terapêuticas, sendo que tiveram como participantes os próprios usuários, como seria esperado. O contexto do corpus como um todo foi relativamente diversificado, pois incluiu tanto serviços de saúde de base comunitária quanto serviços hospitalares. Verificou-se que a maioria das referências abordou oficinas terapêuticas do tipo expressivas, mas em uma parcela delas não houve um enquadramento explícito realizado pelos autores. Por fim, constatou-se que os achados das referências reforçam o potencial das oficinas terapêuticas para a consecução dos objetivos da Reforma Psiquiatria Brasileira. Por outro lado, algumas referências alertaram que há o risco de se utilizar oficinas terapêuticas inadequadamente, como mero passatempo para os usuários, sem maiores preocupações com a reinserção social dos mesmos. O presente estudo, portanto, fornece elementos para o trabalho dos diferentes profissionais de saúde que podem desenvolver oficinas terapêuticas, bem como para os pesquisadores interessados em explorar o assunto.

Palavras-chave: Saúde mental; Serviços de saúde mental; Reabilitação psiquiátrica.

Biografia do Autor

Ana Luiza de Mendonça Oliveira, Universidade Federal de Uberlândia - MG
Psicóloga
Publicado
23-02-2018
Seção
Saberes e Práticas de Atenção à Saúde