Eficácia do tratamento terapêutico em indivíduos tabagistas atendidos pelo SUS no município de Cunha Porã - SC

  • Régis Carlos Benvenutti Unochapecó
  • Everton Boff Unochapecó
  • Naiane Balbinot Unoesc

Resumo

Objetivou-se neste estudo acompanhar um grupo de tabagistas tratados no SUS do município de Cunha Porã (SC), avaliando a eficácia do tratamento e promovendo a proteção da saúde dos usuários. O estudo foi realizado na Unidade Básica de Saúde central do município de Cunha Porã, Santa Catarina (SC), com apoio do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF). Os encontros com os participantes do grupo de tabagistas do município foram realizados em dois momentos, com um intervalo de dois meses entre os encontros. Os participantes do grupo tinham o apoio de um clínico geral e de uma psicóloga, além da presença da farmacêutica do município. Todos os participantes usavam fármacos, sendo adesivos transdérmicos e gomas de mascar contendo nicotina, bem como o medicamento bupropiona. Foi aplicado um questionário com informações clínicas e histórico da condição de tabagistas, avaliando a idade em que começou a fumar, bem como os motivos, além de outros dados como a quantidade de cigarros fumados por dia e em quais momentos isso ocorre, se já havia tentado parar de fumar anteriormente ao atual tratamento e os sintomas quando em abstinência a nicotina do cigarro. A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) sob número 1.966.136. No primeiro encontro haviam 15 participantes, sendo 10 homens e cinco mulheres. Desses, 53,3% haviam começado a fumar antes dos 40 anos, sendo que 66,6% afirmaram que a ansiedade foi o principal motivo para o início do tabagismo. Quanto ao número de cigarros fumados por dia, 73,3% consomem de 11 a 20 cigarros, sendo que após o almoço é o período em que mais sentem necessidade (46,6%). Quando estão em abstinência ao cigarro/nicotina, todos os entrevistados relataram sentir inquietação, nervosismo e dificuldade de concentração. No segundo encontro, fizeram-se presente 10 participantes, sendo que cinco desistiram do tratamento por não suportar os efeitos da abstinência e relataram que não tiveram o apoio familiar, de amigos e colegas de trabalho como esperavam. A realização de campanhas e ações educativas direcionadas para públicos específicos nas escolas abordando e discutindo o assunto, apontando os perigos e problemas ocasionados pelo vício do tabagismo são informações importantes. O local de trabalho é considerado o melhor lugar para fazer uma atividade de prevenção com os adultos. Este estudo demonstrou que a falta de apoio familiar para abandonar a prática do tabagismo, bem como, o alto nível de estresse gerado pelo ambiente de trabalho, são fatores que dificultam a intenção e a busca para o abandono do tabagismo. Desta forma, o dependente encontra muitas dificuldades para tratar a abstinência ao tabaco, pois constantemente sofre com mecanismos orgânicos que induzem a voltar ao consumo do cigarro. Os pacientes que continuaram o tratamento possuem determinação e motivação pessoal, além de um apoio familiar e social mais constante, na qual reafirma ao próprio indivíduo que o comportamento de parar de fumar deve ser uma prioridade.

Palavras-chave: Hábito de fumar; Dependência; Tratamento farmacológico.

 

 

Publicado
23-02-2018
Seção
Saberes e Práticas de Atenção à Saúde