AS TENDÊNCIAS TEÓRICO-POLÍTICAS DO SERVIÇO SOCIAL EM RELAÇÃO AO SUS NOS CURSOS DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL

  • Bruna Veiga de Moraes Universidade Federal de Santa Catarina
  • Tânia Regina Krüger Universidade Federal de Santa Catarina

Resumo

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar a pesquisa realizada entre os anos de 2016 e 2017 sobre as tendências teórico-políticas do Serviço Social em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS) apresentadas nos Trabalhos de Conclusão de Residência (TCRs), em formato de artigo ou monografia, produzidos por assistentes sociais nos Programas de Residências Multiprofissionais em Saúde (PRMS) do Brasil a partir de 2010.

No primeiro momento realizou-se um estudo bibliográfico acerca das tendências teórico-política dos SUS e do projeto ético-político profissional do Serviço Social em relação ao SUS. Posteriormente foram coletados por meio virtual 35 TCRs produzidos por assistentes sociais entre os anos de 2010 e 2016, estando representados 07 Programas de Residência distribuídos nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Ceará. Após a coleta do material foi realizada a análise dos trabalhos com base nos títulos, palavras-chaves e objetivos, agrupou-se os trabalhos com mais proximidade temática para fins analíticos e de exposição. Posteriormente os trabalhos foram revisitados nas 08 temáticas identificadas e buscou-se a relação com as tendências teórico-política dos SUS.

A partir dos anos 2000, diante das tensões e resistências, foram identificadas três principais tendências teórico-políticas na implementação do SUS: o modelo privatista, a perspectiva da reforma sanitária e a reforma sanitária flexibilizada. O atual projeto ético-político do Serviço Social está em consonância com a perspectiva da reforma sanitária diante da defesa intransigente dos direitos sociais realizados e pelo Estado e com base no direito público. O resultado dessa pesquisa demonstra que os TCRs produzidos pelo Serviço Social estão predominantemente alinhados com o modelo da reforma sanitária flexibilizada, projeto que apresenta a defesa do SUS como perspectiva genérica, mas não aprofunda as questões centrais dos limites e dilemas na Política de Saúde, que dizem respeito o modelo de gestão, modelo de atenção à saúde e forma de financiamento. Os PRMS têm expandido cada vez mais vagas para o Serviço Social e demais profissões compreendidas na área da saúde, no entanto não tem atingido as potencialidades de formação crítica para o SUS que esteja de acordo com os fundamentos da reforma sanitária em sua radicalidade democrático-popular.

Conclui-se que os PRMS fazem parte das contradições enfrentadas no SUS, no aspecto de educação e saúde, mas também no mundo do trabalho. O Serviço Social é uma das profissões inseridas nos PRMS, o qual baliza-se em um projeto ético-político que tem relação intrínseca ao Projeto da Reforma Sanitária, que coaduna com a defesa radical do SUS em seu caráter público, universal, integral gratuito, de qualidade sob gestão estatal. Um dos desafios apresentado é sustentar esse projeto cotidianamente no processo de formação e trabalho no SUS.

Biografia do Autor

Bruna Veiga de Moraes, Universidade Federal de Santa Catarina
Graduada em Serviço Social pela UFSC, especialista em Saúde da Família pela modalidade Residência pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da UFSC e atualmente mestranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFSC. Integrante do  Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular (NESSOP) e Núcleo de Estudos e Pesquisas: Trabalho, Questão Social e América Latina (NEPTQSAL), ambos da UFSC.
Tânia Regina Krüger, Universidade Federal de Santa Catarina
Assistente Social, mestre em Educação pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e doutora em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), docente no Departamento de Serviço Social da UFSC (DSS/UFSC) no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSS/UFSC). Integrante do Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular (NESSOP).
Publicado
20-02-2018
Seção
Educação e Formação em Saúde