PERCEPÇÕES DE ENFERMEIROS E DOCENTES SOBRE INTEGRAÇÃO ENSINO E SERVIÇO EM UM HOSPITAL

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Resumo

Introdução: Frequentemente, os enfermeiros não se reconhecem como educadores em sua prática diária, restringindo-se às tarefas assistenciais e negligenciando sua capacidade de influenciar e ensinar. Isso pode ocorrer porque se considera que a educação é exclusiva do ambiente acadêmico, onde o conhecimento é gerado e transmitido. Além disso, pode haver uma lacuna percebida entre a prática clínica e a teoria acadêmica, dificultando a integração entre essas duas realidades. O sistema de saúde brasileiro passou por uma evolução significativa, marcada por vários marcos importantes. O movimento da Reforma Sanitária Brasileira foi um passo fundamental para a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988, que transformou a forma como a saúde é abordada no país. Posteriormente, a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 e as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Saúde (DCNs) de 2001 contribuíram para uma maior integração entre a formação acadêmica e a prática profissional. Além disso, a criação da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) em 2003 e a implementação do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) foram fundamentais para aproximar as universidades das instituições de saúde, promovendo avanços na integração entre o ensino e o serviço (Zarpelon et al., 2018). A integração entre o ensino e o serviço de saúde é uma abordagem colaborativa que reúne estudantes, professores e profissionais de saúde, incluindo gestores, com o objetivo comum de melhorar a qualidade da atenção à saúde. Essa parceria visa não apenas aprimorar a formação profissional, mas também promover o desenvolvimento e a satisfação dos trabalhadores do setor, por meio de um trabalho conjunto e integrado. Ao alinhar a formação acadêmica com as necessidades do SUS, essa integração busca preparar profissionais mais capacitados para atender às demandas do sistema de saúde, promovendo uma atenção mais eficaz e humanizada (Governo do estado do Pará, 2019). Objetivo: Descrever as percepções de enfermeiros e docentes enfermeiros sobre a integração ensino e serviço no contexto de um hospital público em Santa Catarina. Metodologia: Estudo qualitativo com base no referencial metodológico da pesquisa convergente assistencial (PCA) de Trentini, Paim e Silva (2018), seguindo as etapas de concepção, instrumentação, perscrutação, interpretação e análise. Foram convidados a participar da pesquisa, os enfermeiros de um hospital público em SC e os docentes enfermeiros dos cursos de graduação em enfermagem de instituições de ensino parceiras ao hospital. Aceitaram participar do estudo 48 enfermeiros, sendo 13 docentes das instituições de ensino, 13 coordenadores de unidades e 22 assistenciais. Os participantes responderam a um  questionário que abordou dados de identificação e questões abertas sobre a percepção que o participante possui sobre integração ensino e serviço contexto hospitalar. A coleta ocorreu no período de 10 de abril a 07 de maio de 2025. Para a análise dos dados foi utilizado o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) de Lefevre e Lefreve (2014), que propõe como etapas: as Expressões Chave (ECH) que são trechos significativos das falas individuais que apontam a essência do conteúdo; Ideias Centrais (IC) que descreve de forma breve os sentimentos presentes dos discursos e são a síntese do conteúdo manifesto nas Expressões Chave (Santos et al., 2023).O projeto foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos sob número 7.458.836. Resultados e discussão: Os enfermeiros destacaram a importância do ambiente hospitalar como um espaço fundamental para a perpetuação da integração ensino-serviço. Eles ressaltaram a necessidade de aumentar a proximidade entre as esferas acadêmica e prática, permitindo a geração, validação e compartilhamento constante de conhecimento. Isso beneficiaria tanto os estudantes quanto os profissionais de saúde, promovendo uma formação eficaz. A integração ensino-serviço também foi vista como essencial para a formação profissional, pois os estudantes se tornarão futuros profissionais e a proximidade com a prática traz credibilidade à academia. Além disso, a formação estará alinhada com as necessidades do mercado de trabalho, sem perder de vista o conhecimento científico necessário para uma prática de excelência. Isso permitiria que os profissionais de saúde sejam mais bem preparados para atender às demandas do sistema de saúde. No entanto, os enfermeiros também , por meio de seus relatos, demonstraram que ainda há dificuldade na percepção sobre seus papéis e a importância do tema. A falta de discussão sobre o assunto ou o reconhecimento sobre sua importância pode gerar uma sensação de desigualdade entre os grupos, com alguns se sentindo mais ou menos capacitados. Isso pode dificultar a implementação eficaz da integração ensino-serviço e prejudicar a formação dos profissionais de saúde. Para Garcia et al.,2019 a transformação de ações em experiências significativas requer a integração efetiva entre conhecimento teórico e prática concreta. Isso implica estabelecer um processo contínuo de retroalimentação entre teoria e prática, permitindo a identificação precisa de problemas e a implementação de soluções eficazes. Nesse contexto, a integração entre saber e fazer torna-se fundamental, superando as fronteiras teóricas e conferindo significado prático às ações. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: A integração ensino-serviço pode desempenhar um papel fundamental na consecução da Meta 4.3 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa garantir a igualdade de acesso à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis, para todos os homens e mulheres, por meio justamente a possibilidade de proporcionar aos indivíduos a participação ativa em cenários de crescimento e formação profissional eficazes e seguros. Considerações finais: A integração ensino-serviço é fundamental para a formação de profissionais de saúde capacitados e alinhados com as necessidades do sistema de saúde. Essa abordagem colaborativa promove a geração e compartilhamento de conhecimento, melhorando a qualidade da atenção à saúde. No entanto, é importante superar as dificuldades e desafios identificados, como a falta de percepção sobre os papéis e a importância do tema. Com uma abordagem eficaz e colaborativa, é possível promover uma formação profissional mais eficaz e melhorar a qualidade da atenção à saúde.

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Publicado

16-01-2026