ACADÊMICOS EM AÇÃO: PSICOLOGIA E ENFERMAGEM NA CONSTRUÇÃO DE CAMPANHAS NA SAÚDE PÚBLICA

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Resumo

Introdução: A integração ensino-serviço compreende o trabalho articulado entre docentes, acadêmicos, profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), visando aprimorar tanto a formação profissional quanto a qualidade da assistência prestada (Albuquerque et al., 2008). Essa integração utiliza os serviços de saúde como espaço de aprendizagem e de experimentação, configurando-se como um “laboratório vivo” que favorece a aproximação entre teoria e prática (Khalaf et al., 2019). Nesse cenário, destaca-se a participação acadêmica em projetos de promoção e conscientização em saúde, que possibilitam o desenvolvimento de competências críticas, reflexivas e interdisciplinares. Este relato justifica-se pela necessidade de estudos e experiências que evidenciem práticas interprofissionais no contexto da saúde pública, favorecendo a integração de diferentes áreas do conhecimento. Está, ainda, em consonância com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde no SUS (PNEPS-SUS), que defende a participação ativa de sujeitos na construção coletiva de saberes e práticas (Brasil, 2013). Assim, este trabalho discute a experiência de acadêmicos de Psicologia e Enfermagem na elaboração e execução de campanhas de conscientização em saúde, enfatizando seu protagonismo e a relevância da integração ensino-serviço para o fortalecimento das políticas públicas. Objetivo: Discutir a importância da participação de estagiários de Psicologia e Enfermagem na construção e execução de campanhas de saúde, destacando-os como sujeitos ativos e a integração multiprofissional como estratégia para a promoção da saúde pública. Metodologia: Trata-se de estudo descritivo e qualitativo, do tipo relato de experiência, realizado junto à Secretaria de Saúde do município de Chapecó (SC), nos meses de agosto e setembro de 2025, com a participação de acadêmicos de Psicologia e Enfermagem de diferentes universidades e fases de graduação. O processo foi estruturado em duas etapas. Na primeira, ocorreu o planejamento, composto por reuniões entre estagiários e supervisores para definição dos temas, objetivos e públicos-alvo das campanhas. Na segunda etapa, ocorreu a execução, que contemplou ações em espaços públicos, incluindo atividades educativas, rodas de conversa, orientações individuais, distribuição de materiais informativos e dinâmicas interativas, com linguagem acessível e adaptada a diferentes faixas etárias. A integração multiprofissional se deu pela atuação conjunta: estudantes de Psicologia contribuíram com abordagens sobre saúde mental, acolhimento e estratégias de comunicação, enquanto os de Enfermagem ofereceram suporte técnico-científico em prevenção de doenças, cuidados clínicos e educação em saúde. Essa articulação favorece práticas interdisciplinares fundamentadas no trabalho em equipe e na complementaridade dos saberes (Peduzzi, 2001). Resultados e discussão: A experiência evidenciou que a atuação conjunta de acadêmicos de Psicologia e Enfermagem potencializa a construção de campanhas mais abrangentes e humanizadas. A diversidade de olhares e saberes enriqueceu a elaboração das estratégias, unindo fundamentação científica e sensibilidade social. Durante a campanha do Setembro Amarelo, os acadêmicos atuaram de forma conjunta na realização de atividades de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, com diálogos abertos, distribuição de materiais informativos e interação direta com a comunidade, o que possibilitou a construção de um espaço de acolhimento e reflexão coletiva. Como parte das atividades, foi confeccionado um painel temático alusivo ao Setembro Amarelo, utilizado como recurso visual para sensibilizar o público sobre a valorização da vida, e disponibilizada uma caixinha com mensagens positivas e de autocuidado, da qual os participantes podiam retirar livremente frases em formato de “ticket”, incentivando atitudes simples de cuidado consigo mesmos; além da entrega de sachês de chá do autocuidado, simbolizando momentos de pausa e bem-estar, da distribuição de fitas em formato de laço amarelo para serem utilizadas na roupa como gesto de apoio à causa. Essa atuação integrada favoreceu uma abordagem mais humanizada e participativa, contribuindo para a valorização da vida e o fortalecimento do cuidado em saúde mental no âmbito da atenção pública. A vivência reafirma princípios defendidos da PNEPS-SUS (Brasil, 2013), que propõe metodologias centradas no diálogo, na escuta e na valorização do saber popular, e reforça o conceito de equipe multiprofissional (Peduzzi, 2001), em que a integração dos diferentes profissionais resulta em práticas colaborativas mais resolutivas. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: a experiência contribuiu diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sobretudo: ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, ao promover prevenção, conscientização e melhoria da qualidade de vida; ODS 4 – Educação de Qualidade, ao proporcionar aprendizagem significativa, crítica e integrada à formação dos futuros profissionais; ODS 17 – Parcerias e meios de implementação, ao consolidar a cooperação entre universidade, serviços de saúde e comunidade, que fortalecem práticas interprofissionais e colaborativas no âmbito da saúde pública (ONU, 2024). Considerações Finais: A experiência reforçou a relevância da participação acadêmica na construção de campanhas de conscientização, mostrando que a integração entre Psicologia e Enfermagem amplia o impacto social e potencializa a qualidade das ações. Entre os desafios, destacam-se a limitação de recursos, o tempo reduzido para planejamento e a resistência de alguns profissionais em incorporar práticas interdisciplinares. No entanto, como perspectivas futuras, ressalta-se a realização das campanhas do Outubro Rosa e do Novembro Azul, já em fase de planejamento, e que deverão ampliar o escopo das ações educativas, envolvendo prevenção do câncer de mama e de próstata, respectivamente. Além disso, projeta-se a possibilidade de incluir outros cursos da área da saúde, expandir as campanhas para novas temáticas e fortalecer a articulação entre ensino, serviço e comunidade. Recomenda-se a institucionalização dessas práticas nas políticas locais de saúde, garantindo maior continuidade, apoio e reconhecimento ao protagonismo acadêmico. Conclui-se, que a integração ensino-serviço, por meio de campanhas de conscientização, configura-se como estratégia potente para qualificar a formação profissional, fortalecer as políticas públicas e promover saúde com equidade, acolhimento e diálogo.

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Publicado

16-01-2026