EFEITOS DO REIKI NO BEM-ESTAR DE PACIENTES INTERNADOS: RELATO DE PESQUISA EM ANDAMENTO

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Resumo

Introdução: O Reiki é uma prática integrativa e complementar de origem japonesa, baseada na imposição das mãos para a harmonização energética e promoção do bem-estar físico, emocional, mental e espiritual. Reconhecido pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) desde 2017, o Reiki passou a ser ofertado em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), reafirmando o compromisso com a integralidade do cuidado e a valorização de terapias de baixo custo, seguras e acessíveis. Estudos têm demonstrado efeitos positivos do Reiki, como a redução de ansiedade, dor e estresse, bem como a melhora da qualidade de vida em diferentes contextos clínicos (Ferreira et al., 2020; Fagundes et al., 2022; Rivera et al., 2020). Apesar disso, ainda são escassas as pesquisas que avaliam sistematicamente seus resultados em hospitais públicos brasileiros, especialmente no Sul do país. Essa lacuna reforça a necessidade de evidências que fundamentem a inserção do Reiki em protocolos institucionais. Diante desse cenário, a enfermagem tem papel central na incorporação de práticas que ampliem a humanização da assistência e fortaleçam a integralidade do cuidado. Nesse sentido, investigar os efeitos do Reiki em pacientes hospitalizados torna-se relevante tanto para a formação acadêmica quanto para o fortalecimento do SUS. Objetivo: Investigar os efeitos do Reiki no bem-estar de pacientes internados em um hospital público do Oeste Catarinense, analisando dimensões físicas, emocionais, mentais e espirituais a partir de instrumentos padronizados de avaliação. Metodologia: Trata-se de um estudo de campo, de abordagem quantitativa, com delineamento transversal, desenvolvido no Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó (SC), em parceria com o Projeto Luzes. A população-alvo é composta por pacientes internados no setor de oncologia. O cálculo amostral definiu 148 participantes, considerando nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. Para a coleta de dados, serão aplicados quatro instrumentos: (1) questionário sociodemográfico; (2) WHOQOL-Bref, para avaliação da qualidade de vida; (3) Escala de Bem-Estar Espiritual (EBE), aplicada antes e após a intervenção; e (4) questionário estruturado elaborado pelas pesquisadoras para análise da percepção subjetiva dos benefícios. Cada entrevista tem duração média de 40 minutos, conduzida no leito hospitalar ou em sala reservada. Os dados serão analisados em softwares livres (Jamovi e PSPP), por meio de estatística descritiva e inferencial, considerando nível de significância de 5% (p < 0,05). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal da Fronteira Sul (Parecer nº 7.768.641/2025). Resultados e discussão: Até o momento, foram concluídas as etapas de aprovação ética, capacitação da equipe e início do recrutamento de pacientes. Observou-se receptividade positiva, com relatos de interesse e curiosidade em experimentar a prática. Pacientes destacaram a expectativa de que o Reiki auxiliasse no enfrentamento da ansiedade e proporcionasse maior tranquilidade durante a hospitalização. Esses achados preliminares estão em consonância com estudos que demonstram benefícios subjetivos e clínicos associados ao Reiki (Amarello et al., 2021; Fagundes et al., 2022). Evidencia-se, ainda, a importância de integrar práticas integrativas ao ambiente hospitalar, por serem seguras, de baixo custo e sustentáveis. Entretanto, desafios foram identificados, como a necessidade de adequação dos horários das sessões às rotinas de medicação e exames, além da sensibilização da equipe multiprofissional quanto aos objetivos da pesquisa. A literatura também ressalta que a implementação de práticas integrativas requer engajamento institucional e valorização das políticas públicas (Ferreira et al., 2020). Espera-se que, ao final da coleta, os dados permitam analisar os impactos do Reiki nos domínios físico, emocional e espiritual, contribuindo para o embasamento científico e para a consolidação dessa prática no SUS. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O estudo contribui diretamente para o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ao investigar uma prática que promove qualidade de vida em pacientes hospitalizados. Relaciona-se ao ODS 4 (Educação de Qualidade), ao integrar a formação acadêmica em enfermagem com práticas científicas inovadoras. Também se vincula ao ODS 10 (Redução das Desigualdades), por ampliar o acesso a terapias complementares de baixo custo no SUS. Adicionalmente, associa-se ao ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis), por ser uma prática sustentável, sem dependência de insumos materiais ou geração de resíduos. Considerações finais: O Reiki mostra-se uma estratégia viável e promissora para complementar o cuidado hospitalar, por sua segurança, baixo custo e aceitação pelos pacientes. Os resultados parciais evidenciam receptividade positiva, o que reforça seu potencial em fortalecer a humanização da assistência e a integralidade do cuidado. Conclui-se que os resultados poderão subsidiar protocolos institucionais e contribuir para consolidar a inserção do Reiki no SUS. Ressalta-se, entretanto, que a efetiva implementação depende do engajamento das equipes multiprofissionais e do fortalecimento das políticas públicas de apoio às práticas integrativas.

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Publicado

16-01-2026