VIVÊNCIAS E PRÁTICAS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: UM RELATO DE ESTÁGIO EXTRACURRICULAR

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Resumo

Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como porta de entrada e o primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo (Fittipaldi, 2021). Dessa forma, ao longo da formação acadêmica, os discentes são incentivados a desenvolver competências e adquirir conhecimentos que extrapolam o ambiente formal de ensino. Sob essa perspectiva, os estágios extracurriculares constituem uma estratégia frequentemente adotada por estudantes de Enfermagem, com o propósito de promover seu aperfeiçoamento teórico-prático e ampliar sua qualificação profissional. Entretanto, a organização curricular e a distribuição das disciplinas ao longo do semestre configuram-se, por vezes, como fatores limitantes para a participação nessas atividades, que tendem a ser realizadas predominantemente durante os períodos de recesso acadêmico. Consoante a isso, está presente na vida do acadêmico a insegurança e ansiedade em relação a forma de desempenhar seu trabalho quando enfermeiros, sendo que a realização de atividades extracurriculares auxilia na realização de práticas de enfermagem com mais frequência e de acordo com a rotina dos serviços, consequentemente, proporcionando mais vivências e segurança. Tal entendimento vai ao encontro das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, descritas pela Resolução Nº 3/2001, do Conselho Nacional de Educação, onde no seu Artigo 3º  aponta que a formação do enfermeiro deve ser generalista humanista, crítica e reflexiva e, para além disso, deve atuar com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano, respeitando aos princípios éticos e levando em consideração os aspectos biopsicossociais da população assistida. Esse documento determina que este profissional deva ter conhecimentos, competências e habilidades que englobam as diferentes áreas da enfermagem, como: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento e educação permanente (Brasil, 2001). À luz dessas considerações, infere-se que o estágio extracurricular não obrigatório se configura como um instrumento essencial para a formação do acadêmico de enfermagem, na medida em que proporciona uma visão crítica e reflexiva acerca dos diversos campos de atuação profissional, incluindo no âmbito da APS, possibilitando a sistematização e a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo da graduação, o que se traduz em experiências significativas e enriquecedoras. Objetivo: O presente trabalho tem como propósito relatar a experiência de uma estudante do curso de Graduação em Enfermagem, adquirida durante a realização de um estágio extracurricular não obrigatório em uma Estratégia de Saúde da Família (ESF) em um Município da região noroeste do Rio Grande do Sul (RS). Metodologia: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, cujo objetivo foi descrever sobre o desenvolvimento de um estágio extracurricular não obrigatório visando ampliar o conhecimento, aperfeiçoar a comunicação e desenvolver as habilidades técnicas de enfermagem, foi desenvolvido estágio extracurricular em uma Estratégia de Saúde da Família em um município do RS. A vivência ocorreu no período de uma semana, pelo turno da manhã e tarde no mês de fevereiro de 2025, perfazendo um total de 30 horas e foi supervisionada pela enfermeira responsável pela unidade. A unidade é referência para 7 bairros e cerca de 7000 pessoas, e é sede de duas equipes da Saúde da Família. Cada equipe conta com um médico, uma enfermeira, dois técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde (uma equipe contando com 4 profissionais desta categoria e outra com 5). Além destes, compõem ainda o quadro de profissionais da unidade: uma médica 20 horas, um médico residente, uma auxiliar de saúde bucal, um dentista, uma vacinadora e duas serviços gerais. O serviço presta atendimento à comunidade 5 dias da semana, das 07:30 horas às 12:00 horas e das 13:30 horas às 17:00 horas. Nas quartas-feiras à tarde há somente expediente interno, turno em que ocorre a reunião de equipe. O perfil epidemiológico nesta região difere para o que temos no município de estágio, principalmente no grande número de lesões que requerem curativos, como prótese de joelho, lesões decorrentes de materiais cortantes, pé diabético e outras lesões crônicas. O número de indivíduos portadores de infecções sexualmente transmissíveis é elevado na área, assim como o número de pessoas em uso de Sonda Vesical de Demora (SVD). Resultados e discussão: Nesse contexto, a realização de atividades extracurriculares qualifica a formação do futuro enfermeiro, uma vez que possibilita intervir junto a diferentes populações, e para além de fortalecer o conhecimento técnico-científico também visa aprimorar habilidades próprias deste profissional, fortalecendo a capacidade de trabalho em equipe multiprofissional e aprimorando habilidades voltadas para a promoção, prevenção e atenção integral à saúde. Desse modo, entre as principais habilidades proporcionadas no estágio extracurricular, estão: A melhora da comunicação com a equipe e o paciente/familiares, o aprimoramento do raciocínio clínico, tomada de decisões, gestão do tempo, desenvolvimento da autonomia e, principalmente, a capacidade de trabalhar em equipe, além de permitir a aproximação em diferentes áreas de atuação que o enfermeiro pode estar inserindo-se. Além de desenvolver e aprender técnicas, como: Passagem de SVD feminina no domicílio, realização de medicações intramuscular (IM) e intravenosa (IV), aprimoramento de técnicas para curativo e presenciar como é realizado o citopatológico. Como limitações do estudo pode-se citar que o mesmo foi realizado em uma unidade de ESF por curto período de tempo, o que não permite fazer generalizações, tendo como foco a experiência vivenciada. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O relato de experiência de estágio extracurricular não obrigatório em uma Estratégia de Saúde da Família, contribui significativamente para a promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ao demonstrar práticas que promovem saúde de qualidade, prevenção de doenças e bem-estar da comunidade, oferecendo cuidado e educação em saúde, baseada em evidências científicas, a qual vai em consonância com o 3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3), cujo objetivo do mesmo é assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades. Além disso, favorece a educação continuada de discentes e futuros profissionais enfermeiros, assim como o desenvolvimento de ações educativas para a população, promovendo aprendizagem prática baseada em vivências reais (ODS 4), do qual tem como propósito assegurar educação inclusiva e equitativa. Por fim, a experiência propicia a redução de desigualdades sociais e a ampliação do acesso a serviços de saúde em comunidades vulneráveis, contribuindo para políticas públicas voltadas à inclusão social e equidade (ODS 10). Considerações finais: Conclui-se, portanto, que os estágios extracurriculares proporcionam experiências básicas para formação enquanto acadêmicos, além de preparar o estudante para as exigências do mercado de trabalho, aprimorando a qualidade da assistência prestada e auxiliando na tomada de decisões sobre o futuro profissional. Logo, a busca pelo ampliamento de conhecimento e pelas vivências em outras realidades é de suma importância, pois permite o correlacionamento do conhecimento adquirido no trajeto teórico acadêmico, aplicando-os na prática em situações reais. Dessa forma, a realização do estágio extracurricular não obrigatório na Atenção Primária à Saúde não apenas favorece o crescimento acadêmico, mas também reforçou o compromisso com uma atuação profissional alinhada aos princípios da saúde pública e aos desafios globais de desenvolvimento sustentável, evidenciando que a formação em saúde vai além da sala de aula e deve estar diretamente conectada às necessidades da sociedade e, consequentemente, contribuindo para a formação de um profissional de saúde mais crítico, ético e comprometido com a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS). 

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Publicado

16-01-2026