SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE E INSEGURANÇA NUTRICIONAL DE MULHERES COM DEFICIÊNCIAS NO RURAL: ESTUDO DE TENDÊNCIAS
Resumo
Introdução: a mulher, ao longo da história, tem sido frequentemente percebida pela sociedade como um ser vulnerável, exposta a diferentes tipos de riscos. Apesar dos avanços legais e das políticas públicas implementadas em diversas partes do mundo, elas ainda integram um grupo social que vivencia múltiplas situações de vulnerabilidade. Quando se cruzam fatores como sexo, deficiência e contexto rural, essa condição se intensifica, ampliando as desigualdades e tornando-as mais suscetíveis à pobreza e à insegurança nutricional. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender o que vem sendo produzido na literatura científica sobre essa temática, a fim de fornecer embasamento teórico para a formulação e o aprimoramento de leis e políticas públicas que assegurem a proteção e os direitos das mulheres. Objetivo: identificar as tendências metodológicas mais recentes das teses e dissertações produzidas no Brasil a respeito da situação de vulnerabilidade e insegurança nutricional de mulheres com deficiências, residentes na área rural. Metodologia: trata-se de uma revisão embasada em tendências metodológicas nacionais de dissertações e teses que trazem como base temática a situação de vulnerabilidade e a insegurança nutricional de mulheres com deficiências residentes na área rural. Para isso, foi realizada uma busca no banco de teses e dissertações na Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em junho de 2025, utilizando como estratégia de busca avançada as palavras-chave “mulheres”; “nutrição”; “vulnerabilidade” que geraram 59 produções. A partir dos achados foi realizada a leitura dos títulos e resumos, sendo excluídas 54 produções as quais não convergiam com a temática e objetivo do estudo. Sendo assim, o conjunto do estudo foi composto por cinco produções (duas dissertações e três teses). Os dados foram analisados de modo qualitativo, por meio de uma análise crítica/reflexiva. Resultados e discussão: a partir da leitura e análise foi possível evidenciar as tendências da produção de teses e dissertações brasileiras e caracterização dos estudos selecionados, que apresentaram os seguintes resultados: do conjunto da pesquisa as produções mais atualizadas foram realizadas nos anos de 2022 e 2023 (Lima, 2023; Medeiros, 2023; Santos, 2022; Santos, L., 2022 Santos, T., 2022). As instituições que elaboraram estudos com a temática em questão foram: Universidade Federal do Rio de Janeiro e Centro Universitário Saúde ABC, com uma produção cada (Lima, 2023; Santos, L., 2022). A maior produção foi realizada na Universidade Federal de Alagoas com três publicações (Medeiros, 2023; Santos, C., 2022; Santos, T., 2022). No que se refere às regiões geográficas dos estudos analisados, destaca-se a região nordeste com maior número de estudos, contabilizando quatro produções (Lima, 2023; Medeiros, 2023; Santos, C., 2022; Santos, T., 2022). No que diz respeito à metodologia, a maioria dos estudos realizou estudos integrando duas abordagens, qualitativa e quantitativa, permitindo uma análise mais completa e detalhada para chegar aos seus objetivos, superando as limitações que cada abordagem isoladamente possui e melhorando a interpretação dos resultados (Medeiros, 2023; Santos, C., 2022). No que se refere à coleta de dados, os estudos utilizaram vários instrumentos diferentes como: entrevista narrativa, entrevista semiestruturada, questionários, recordatório alimentar de 24 horas, escala de insegurança alimentar, avaliação antropométrica e bioquímica, uso de banco de dados respeitando as abordagens metodológicas adotadas, objetivos e características da amostra, com a finalidade de informações relevantes e coerentes com o escopo das pesquisas (Lima, 2023; Medeiros, 2023; Santos, C., 2022; Santos, L., 2022 Santos, T., 2022). Quanto ao cenário dos estudos, não houve publicações no meio rural com base na busca na plataforma de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), mas alguns estudos analisados com as demais palavras chaves demonstraram a área rural como local de estudo e destacaram a escassez de produções neste cenário (Lima, 2023; Santos, C., 2022; Santos, L., 2022 Santos, T., 2022). Esse achado pode estar relacionado a um conjunto de fatores como: dificuldade de acesso ao território rural, problemas políticos e de aplicações metodológicas, que produzem a invisibilidade desse território em estudos. O uso de descritores inadequados ou mal selecionados pode levar à exclusão de estudos relevantes e à inclusão de trabalhos fora do tema de interesse, comprometendo os resultados obtidos. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o trabalho se vincula aos seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): ODS 1 – Erradicação da Pobreza: A insegurança nutricional está diretamente ligada à pobreza, já que famílias com baixa renda têm dificuldade de acesso a alimentos adequados, e a identificação deste grupo com suas características contribui para reduzir a vulnerabilidade dessas mulheres. ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável: enfoca o acesso a alimentos suficientes, seguros e nutritivos e a garantia da segurança alimentar, especialmente em contextos rurais e populações vulneráveis. ODS 3 – Saúde e Bem-Estar: a nutrição adequada é essencial para a saúde, mulheres com deficiência e insegurança nutricional têm maior risco de doenças. estudos que proporcionam intervenções para redução dessa vulnerabilidade promovem saúde e bem-estar. ODS 5 – Igualdade de Gênero: o estudo foca em mulheres, população que frequentemente enfrenta desigualdade social, econômica e nutricional. A redução das desigualdades de gênero no acesso à alimentação e cuidados de saúde se relaciona a este ODS. ODS 10 – Redução das Desigualdades: os trabalhos abordados demonstram desigualdades no acesso à alimentação e aos serviços de saúde para mulheres com deficiência no rural, colaborando na construção de Estratégias de inclusão social e nutricional. Considerações finais: a análise revelou que as teses e dissertações brasileiras sobre vulnerabilidade e insegurança alimentar e nutricional em mulheres têm utilizado, predominantemente, metodologias qualitativas e quantitativas de forma combinada, com diferentes estratégias de coleta de dados. Observou-se maior concentração de estudos na região nordeste, ao passo que há escassez nas regiões sul e norte. Destaca-se, ainda, a ausência significativa de pesquisas específicas envolvendo mulheres com deficiência no contexto rural, configurando uma importante lacuna científica. Esses achados reforçam a necessidade de ampliar a produção acadêmica sobre o tema, de modo a subsidiar políticas públicas e estratégias de educação alimentar e nutricional que considerem a complexidade da vulnerabilidade social, não restrita à fome, mas também às repercussões nutricionais, psicológicas e sociais.
