USO DO ALHO COMO POSSIBILIDADE TERAPÊUTICA NATURAL NO CONTROLE DA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL
Resumo
Introdução: a candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica que pode ser causada por diferentes espécies do gênero Candida, que normalmente fazem parte da microbiota vaginal. Essa microbiota é constituída, principalmente, por bactérias do gênero Lactobacillus (aproximadamente 50%), além de outras bactérias e leveduras, como a Candida albicans. Em menor proporção, também podem estar presentes espécies como Candida glabrata e Candida parapsilosis. O pH vaginal ácido (entre 3,5 e 4,5) é essencial para que os Lactobacillus se mantenham predominantes. Porém, em determinadas situações, microrganismos que normalmente convivem no ambiente vaginal ou, até mesmo, os que não fazem parte dele, podem se tornar patogênicos e causar infecções. Estima-se que cerca de 70 a 75% das mulheres terão, pelo menos, um episódio de candidíase vulvovaginal ao longo da vida e, aproximadamente, 40 a 45% apresentarão casos recorrentes. Essa condição é considerada a segunda infecção genital mais frequente, tanto no Brasil quanto em âmbito mundial. Diversos fatores estão relacionados ao desenvolvimento da candidíase, incluindo alterações nos mecanismos de defesa locais, predisposição genética, processos alérgicos, uso de antibióticos, níveis elevados de glicose, estresse psicossocial, alterações hormonais e atividade sexual. As abordagens terapêuticas convencionais para candidíase vulvovaginal incluem o uso de antifúngicos (Souza; Dantas; Sarmento, 2024). No entanto, cada vez mais, protocolos ginecológicos estão considerando a utilização de tratamentos alternativos não medicamentosos e, dentre eles, o alho vem ganhando destaque. O alho (Allium sativum), amplamente utilizado na medicina popular e reconhecido por suas propriedades antimicrobianas, antifúngicas e anti-inflamatórias, vem sendo usado na ginecologia natural, no controle à candidíase vulvovaginal (Freitas, 2023). Sua utilização vem sendo recomendada tanto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) quanto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma alternativa aos medicamentos sintéticos e ele costuma ser mais eficaz em sua forma de óleo essencial, pois danifica as organelas celulares do fungo, levando à morte celular (Souza; Dantas; Sarmento, 2024). Objetivo: analisar o uso do alho (Allium sativum) como possibilidade terapêutica natural no controle da candidíase vulvovaginal, destacando suas propriedades antimicrobianas e antifúngicas, bem como sua eficácia, benefícios e limitações. Metodologia: trata-se de uma revisão de literatura sistemática que busca sintetizar de forma crítica as evidências sobre o uso do alho como um tratamento alternativo não medicamentoso em casos de candidíase vulvovaginal. Foram realizadas buscas nas bases de dados Public Medical Literature Database (PubMed), Scopus Database (Scopus), Web of Science Core Collection (Web of Science), ScienceDirect Database (Science Direct), Google Acadêmico (Google Scholar) e Scientific Information Database (SID), sendo encontrados 5.222 artigos que relacionavam o uso de alho com a candidíase. Numa segunda estratégia de busca foram utilizados sinônimos e variações dos termos, por meio dos descritores Candida, Candidíase, Vaginal candidiasis, Garlic, Allium sativum, Antifungal agents, Alternative medicine, Herbal medicine, Complementary therapies, Clinical trial, por meio dos operadores booleanos and para unir conceitos, or para incluir sinônimos e not para excluir termos irrelevantes. Após o uso destes descritores o número de artigos reduziu para 198. Foram incluídos os estudos que apresentaram o uso do alho como tratamento alternativo em casos de candidíase e excluídos os estudos in vitro, estudos com animais, estudos com dados incompletos ou com a metodologia fraca e publicações duplicadas. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, três artigos compuseram a amostra e apresentaram um comparativo com dados concretos, comparação com tratamentos convencionais e com testes em humanos. Com o passar dos anos, inúmeras pesquisas foram realizadas e vem demonstrando a eficiência e confiabilidade das plantas (Fonseca et al, 2014) como forma de tratamento para diversos agravos relacionados à saúde. Resultados e discussão: os estudos analisados apontaram que o alho (Allium sativum) apresenta efeito antifúngico significativo frente à Candida albicans, principal agente causador da candidíase vulvovaginal. Sua atividade está relacionada à presença da alicina, composto bioativo capaz de inibir o crescimento e a filamentação do fungo, além de estimular a resposta imune do hospedeiro por meio da ativação de células TCD4 + (Linfócito T auxiliar ou T helper CD4+) e macrófagos (Souza; Dantas; Sarmento, 2024). Esses estudos sugerem que o alho, quando administrado de forma adequada, pode contribuir para a redução dos sintomas da candidíase vulvovaginal, representando uma opção terapêutica natural e de baixo custo, principalmente para mulheres em estado de vulnerabilidade social e/ou condição financeira reduzida. Apesar do potencial, ainda são escassos os ensaios clínicos controlados que comprovem sua eficácia em larga escala, sendo necessários mais estudos para padronizar doses, formas de uso e avaliar possíveis efeitos adversos. Mesmo assim, a utilização do alho se mostra uma alternativa promissora no manejo da candidíase vulvovaginal, especialmente em pacientes que buscam terapias complementares ou que apresentam limitações no uso de antifúngicos sintéticos (Souza; Dantas; Sarmento, 2024). Além do exposto, um importante Protocolo de Enfermagem corrobora com os achados desta revisão indicando o uso de alho cru, via vaginal, por sete noites consecutivas, nos casos de candidíase, como possibilidade terapêutica natural (Florianópolis, 2020). Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: os dados deste estudo contribuem para as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 - Saúde e bem estar, ao evidenciarem que a utilização de novas formas de tratamento, principalmente as não farmacológicas, podem contribuir para a saúde e bem-estar de mulheres que precisam tratar quadros de candidíase vulvovaginal, fortalecendo alternativas naturais como o uso do alho. Considerações finais: o estudo evidencia que o alho (Allium sativum) apresenta potencial como estratégia complementar no manejo da candidíase vulvovaginal, contribuindo para o controle da infecção de forma simples, segura, acessível, de baixo custo e eficaz. Além do efeito antifúngico frente à Candida albicans, o alho apresenta propriedades que podem modular a resposta imunológica, reforçando a defesa natural do organismo. A sua utilização como tratamento não medicamentoso pode fortalecer práticas integrativas de saúde, promovendo autonomia na gestão da saúde da mulher. No entanto, é fundamental que a utilização seja orientada por profissionais de saúde, garantindo a eficácia e a segurança do tratamento. Estudos futuros são necessários para aprofundar o conhecimento sobre dosagem, forma de aplicação e possíveis interações com terapias convencionais, a fim de justificar o uso do alho como uma alternativa viável no contexto da educação em saúde, bem como da promoção do bem-estar feminino, para a implementação de estratégias de cuidado integrativo e acessível.
