A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO ATENDIMENTO DOMICILIAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Resumo
Introdução: O atendimento domiciliar é uma estratégia fundamental na promoção da saúde, pois contribui para a humanização do cuidado, possibilitando que os pacientes recebam atenção em seu próprio ambiente, o que fortalece vínculos familiares e sociais, além de reduzir os custos associados à hospitalização e aos atendimentos em unidades de saúde. Nesse cenário, a atuação multiprofissional se mostra essencial, uma vez que profissionais de diferentes áreas, podem atuar de forma integrada, promovendo um cuidado integral, contínuo e adaptado às necessidades específicas de cada paciente (Hilzendeger et al., 2014). Apesar das vantagens evidentes, as visitas domiciliares multiprofissionais enfrentam diversos desafios, incluindo a imprevisibilidade do contexto domiciliar, dificuldades de acesso às residências, resistência ou recusa de familiares em receber a equipe e a complexidade de lidar com situações diversas que envolvem aspectos clínicos, sociais e emocionais dos pacientes (Romanholi; Cyrino, 2012). Esses obstáculos reforçam a necessidade de planejamento cuidadoso, formação adequada dos profissionais e estratégias de comunicação eficazes, de modo a garantir a efetividade do atendimento e a promoção de saúde de maneira sustentável e humanizada. Objetivo: Este resumo tem como objetivo relatar a experiência de um atendimento domiciliar realizado com uma paciente portadora de insuficiência venosa crônica e amputada a nível transfemoral, destacando as intervenções multiprofissionais realizadas, os desafios encontrados durante o acompanhamento e a importância do cuidado integral para a promoção da funcionalidade, bem-estar e qualidade de vida da paciente. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência ocorrido durante o estágio de Fisioterapia na Comunidade, realizado entre os meses de outubro e dezembro de 2024, com os acadêmicos do 8° período de Fisioterapia, supervisionados por dois professores da instituição de ensino. O estágio consistia em visitas domiciliares a pessoas em situação de vulnerabilidade, durante as quais os estudantes realizavam a anamnese detalhada do paciente, considerando o contexto biopsicossocial, as condições de saúde, limitações funcionais e os desafios encontrados no ambiente domiciliar. Com base nas informações coletadas, os acadêmicos elaboravam uma proposta de intervenção fisioterapêutica personalizada, voltada à melhora da funcionalidade e da qualidade de vida do paciente. Foram realizadas duas visitas ao paciente em dias alternados, permitindo aos estudantes observar a evolução clínica, avaliar a efetividade das estratégias propostas e identificar necessidades de ajustes na intervenção. Resultados e discussão: Durante uma das visitas realizadas com uma paciente com diagnóstico de insuficiência venosa crônica e amputação a nível transfemoral, pôde-se observar a significativa carência de visitas domiciliares multiprofissionais, evidenciando lacunas no acompanhamento integral do paciente. No âmbito fisioterapêutico, a paciente apresentava déficit de equilíbrio estático e dinâmico, além de considerável limitação funcional para atividades de vida diária (AVD's), um quadro que poderia ser atenuado com visitas mais frequentes de fisioterapeutas, permitindo a implementação de estratégias personalizadas de reabilitação e prevenção de quedas. Além disso, foi identificado um déficit nutricional relevante, com quadro de desnutrição leve, o que reforça a necessidade de acompanhamento nutricional constante, com orientações direcionadas tanto à paciente quanto aos familiares e cuidadores, visando melhorar a ingestão alimentar, a adesão a dietas específicas e a qualidade de vida. No aspecto psicológico, a paciente apresentou episódios de choro durante os atendimentos, demonstrando dificuldade em aceitar seu diagnóstico e a amputação do membro, evidenciando a importância da atuação do psicólogo para oferecer suporte emocional, acolhimento e estratégias de enfrentamento. No contexto de enfermagem, constatou-se que a paciente recebia visitas semanais dos profissionais para realização de curativos, prevenção de úlceras e controle medicamentoso, sendo essa a única intervenção frequente de caráter multiprofissional disponível para ela. Essa atuação reforça o papel central da enfermagem no cuidado domiciliar, pois, segundo Souza e Silva (2019, p. 47), “as visitas domiciliares realizadas pelo enfermeiro permitem um cuidado integral, centrado nas necessidades do paciente em seu ambiente familiar, promovendo saúde e prevenindo complicações”, demonstrando como a presença regular desses profissionais é fundamental para garantir continuidade do cuidado, identificar precocemente complicações e integrar a atenção às demais necessidades biopsicossociais da paciente. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O presente trabalho alinha-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, que preconiza a garantia da saúde e do bem-estar para todos, com ênfase na ampliação da cobertura universal de saúde. Tal abrangência contempla o tópico 3.8 do objetivo que visa a proteção contra riscos financeiros, o acesso a serviços essenciais de saúde de qualidade e a disponibilização de medicamentos e vacinas essenciais seguros, eficazes, de qualidade comprovada e a preços acessíveis para toda a população. Ele contribui ao fornecer subsídios e estratégias para a promoção da saúde pública, prevenção de agravos e melhoria da qualidade de vida de idosos, reforçando a importância de práticas de cuidado domiciliar multiprofissional na atenção integral à população idosa. Considerações finais: O relato demonstra que o atendimento domiciliar multiprofissional é essencial para oferecer um cuidado completo, seguro e humanizado, cuidadosamente adaptado às necessidades físicas, emocionais e sociais do paciente. A participação de fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros mostrou-se fundamental para melhorar significativamente a funcionalidade, promover o bem-estar integral e ampliar a qualidade de vida. Destaca-se, ainda, o papel da enfermagem, cujas visitas regulares ajudam a prevenir complicações, monitorar a evolução do quadro clínico, orientar familiares e manter a saúde, evidenciando a importância da atuação integrada, colaborativa e contínua da equipe multiprofissional.
