RASTREAR É CUIDAR: PREVENTIVO E TESTES RÁPIDOS NA MESMA AÇÃO

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Resumo

Introdução: As infecções sexualmente transmissíveis, o câncer do colo do útero e mama continuam sendo importantes problemas de Saúde Pública no Brasil, especialmente entre populações vulneráveis e regiões que apresentam uma organização dos serviços de atenção primária em saúde fragilizados e ou subfinanciados. A detecção precoce dessas condições é fundamental para o tratamento eficaz e a redução de complicações. Conforme, o Instituto Nacional do Câncer (2024) sabe-se que o câncer de mama é um dos mais incidentes nas mulheres, no Brasil a idade é considerada o principal fator de risco para o câncer de mama feminino, uma vez que as taxas de incidência aumentam a partir de 40 anos, a faixa de idade é 54 anos. Do mesmo modo o câncer de colo uterino no Brasil, estimam-se, para cada ano do triênio de 2023-2025, 17.010 casos novos de câncer de colo do útero, correspondendo a um risco estimado de 15,38 casos/100 mil mulheres, e as mulheres já estão chegando nos serviços com a doença na forma avançada. Dados relacionados a partir do escopo de diretrizes brasileiras para o rastreamento de câncer de colo uterino. (Instituto Nacional do Câncer, 2024). Em relação as infecções sexualmente transmissíveis, o Brasil tem registrado dados crescentes das Hepatites, no entanto ressalta-se o HIV e Sífilis (Brasil, 2025). A triagem precoce das doenças possibilita estabelecer estratégias de tratamento e seguimento dos casos na rede de atenção. A oferta integrada de exames preventivos em ações comunitárias fortalece a atenção primária à saúde e amplia o acesso da população aos serviços de diagnóstico e prevenção. Na prática de campo da pesquisadora a realidade de atuação dessa ação conjunta não está prevista em protocolo municipal, portanto, apesar da recomendação, não faz parte da rotina de todas as agendas de trabalho. Objetivo: Apresentar a experiência de uma ação de saúde que promoveu, de forma simultânea, a realização do exame preventivo do colo do útero e testes rápidos para detecção de infecções sexualmente transmissíveis, com intuito de facilitar o acesso, promover o diagnóstico precoce e estimular o autocuidado. Metodologia: A ação foi realizada em uma unidade básica de saúde, na consulta de enfermagem. A população-alvo foram mulheres com idade de 25 a 64 anos, agendadas ou atendidas em demanda espontânea, no horário estendido da atenção primária. Foram oferecidos exames preventivos ginecológicos, exame de rastreamento de mamas, realizados por enfermeiras e testes rápidos para HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C, com análise dos resultados em até 30 minutos. Também foram realizadas orientações individuais e coletivas sobre saúde sexual, prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis e importância do rastreamento do câncer do colo uterino. Resultados e discussão: A ação obteve boa adesão da comunidade, principalmente de mulheres entre 25 e 64 anos. A maioria das participantes nunca havia realizado exames preventivos de câncer de colo uterino e mama, ou estava com o seguimento em atraso. Os testes rápidos foram bem aceitos e ajudaram a desmistificar as Infecções Sexualmente Transmissíveis, promovendo um ambiente acolhedor e educativo. A combinação dos exames em um mesmo momento otimizou o tempo da usuária e incentivou o cuidado integral à saúde. A atividade demonstrou que estratégias integradas são eficazes na ampliação do acesso e na sensibilização da população. Destaca-se que as mulheres apontavam a necessidade do acolhimento como uma forma diferenciada capaz de estabelecer uma relação de confiança com a enfermeira, uma vez que durante a pratica das ações integradas, a mulher expõe o corpo, a intimidade, o que exige da profissional uma postura empática, com conhecimento técnico científico e ética. Os resultados também apontavam para a recomendação do retorno programado das mulheres, de acordo com a sua necessidade. Uma outra, constatação apontada é a necessidade de reavaliação dos protocolos assistenciais, a fim de, rever os fluxos para fomentar o acesso aos serviços de saúde. Estas ações integradas contribuem diretamente para o alcance dos seguintes Objetivos de Desenvolvimento de Sustentabilidade (ODS) e convergem premissas que constituem a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). O ODS 3 – Saúde e Bem-Estar: ao promover o acesso a exames preventivos e testes rápidos, fortalecendo a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças. ODS 5 – Igualdade de Gênero: ao garantir atendimento de qualidade e acolhimento às mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade. ODS 10 – Redução das Desigualdades: ao oferecer serviços de saúde gratuitos e acessíveis à população de uma área com dificuldades de acesso regular a esses cuidados (United Nations, 2015). Por isso, esse relato reforça a importâncias da reestruturação dos serviços de saúde de modo que amplie o acesso. Considerações Finais: A realização simultânea de exames preventivos e testes rápidos de infecções sexualmente transmissíveis mostrou-se uma estratégia eficaz, acessível e bem aceita pela população. A experiência reforça a importância de ações integradas na atenção primária à saúde, que promovam o cuidado contínuo, a equidade no acesso aos serviços e o fortalecimento da autonomia dos usuários em relação à sua saúde. A replicação dessa iniciativa em outros territórios pode contribuir significativamente para prevenir as infecções sexualmente transmissíveis, o câncer do colo do útero e mama, com perspectiva de redução de danos e o bem viver de modo sustentável.

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Publicado

16-01-2026