TRABALHANDO O ADOECIMENTO MENTAL DE ADOLESCENTES LGBT+ POR MEIO DA RODA DE CONVERSA
Resumo
Introdução: As ações discriminatórias às quais a população LGBT+ é submetida cotidianamente, com ênfase nas violências familiares e sociais diante das diversidades sexuais dos adolescentes, ocasiona a minimização de oportunidades, evasão escolar, repressão quanto à sexualidade, perda do vínculo familiar e ideações e comportamentos com desfechos suicidas (Silva et al. 2021). No período que transcorre a adolescência, a estigmatização e a exclusão social vivenciadas pela população LGBT acarretam em importantes prejuízos à saúde mental, como a depressão, ideação, tentativa de suicídio e suicídio (Silva et al. 2021). Entre 2008 a 2017 no Brasil, houve 152.465 internações de adolescentes, apontando para redução na região Nordeste, aumentou no Norte e nas regiões Sul, já no Sudeste e Centro-oeste houve tendência estável, os adolescentes do sexo masculino apresentaram-se estáveis; no entanto, a taxa é maior que a feminina (Rodrigues et al. 2023). Os resultados indicam que, embora existam políticas públicas externas à equidade racial na saúde, a implementação de práticas antirracistas nos CAPSij ainda é incipiente, havendo uma deficiência de pesquisas que contemplam diretamente a experiência de crianças e adolescentes negros no CAPSij. Observa-se que os profissionais frequentemente desconhecem ou negligenciam as questões raciais, limitando-se à coleta do quesito raça/cor sem aprofundar sua aplicação no cuidado. Além disso, há uma lacuna significativa na escuta ativa de crianças e adolescentes negros, com a maioria das pesquisas focando em relatos de profissionais e familiares (Ricardo; De Figueiredo, 2025). Ao aplicar a metodologia do Arco de Maguerez, o professor já não é o que apenas transmite informações, mas o que, enquanto informa, é informado, em diálogo com os alunos que, ao ser formados, também são transmissores de formação. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os argumentos da autoridade já não valem, se necessita de estar sendo com as liberdades e não contra elas (Soares et al. 2023). Objetivo: Relato de experiência a vivência de alunos do curso técnico em enfermagem em suscitar reflexões frente ao estigma, interseccionalidade, gênero, identidade de gênero e sobre a incidência de adolescentes LGBT+ em sofrimento psíquico. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência. A escolha em relatar a experiência ocorreu uma vez que possibilita descrever a vivência com base na necessidade de suscitar reflexões frente o estigma do sofrimento psíquico de adolescentes LGBT+ junto com alunos do curso técnico em enfermagem. As atividades foram realizadas durante as aulas da disciplina de epidemiologia no curso técnicos em enfermagem localizado na região carbonífera, no Estado do Rio Grande do Sul. O público-alvo foram 14 alunos do curso técnicos em enfermagem, as atividades foram iniciadas com 4 perguntas: O que é estigma? O que interseccionalidade? O que é gênero? O que é identidade de gênero? Vocês sabem a incidência de adolescentes em sofrimento psíquico? Realizadas as rodas de conversa no mês de agosto de 2024. A partir dos preceitos de Charles Maguerez, utilizou-se a metodologia da problematização, constituída de cinco etapas (Soares et al., 2023). Descrevendo a experiência: a primeira etapa correspondeu à realidade e definição do problema, como a falta de conhecimento sobre como o estigma é causador de sofrimento psíquico em adolescentes LGBT+, sendo em sua maioria as ideações e tentativas com desfechos suicidas, assim como crise de ansiedade. Na segunda etapa, realizou-se o levantamento dos pontos-chave, no qual iniciou-se uma reflexão sobre o que é estigma, o que é interseccionalidade, o que é gênero, o que é identidade de gênero e sobre a incidência de adolescentes em adoecimento mental. Terceira etapa, buscou-se respostas mais elaboradas para o problema encontrado, assim, os alunos foram convidados a organizar grupos para realizarem leituras de artigos que foram minuciosamente selecionados para eles sobre a temática em questão, assim, como os livros de Patricia Hill Collins e Sirma Bilge intitulado Interseccionalidade; Carla Akotirene Interseccionalidade; Erving Goffman com os títulos: Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada, Representação do Eu na vida cotidiana e Manicômio, Prisões e Conventos, buscando despertar o interesse do indivíduo, considerando-o como sujeito ativo e assimilador de suas ações. Na quarta etapa, foram levantadas as hipóteses de solução, por meio do conteúdo pesquisado. A hipótese encontrada como medida de solução foi de realizar rodas de conversas junto ao serviço de saúde para orientar os trabalhadores da saúde como o estigma é causador de adoecimento mental de adolescentes LGBT+. A quinta e última etapa correspondeu à intervenção sobre a realidade, com o objetivo de solucionar o problema identificado, nesta ótica, os alunos realizaram rodas de conversas com o corpo docente da escola, que buscaram refletir sobre estigma, interseccionalidade, gênero, identidade de gênero e a incidência de adolescentes LGBT+ em sofrimento psíquico. Após a realização de leitura dos artigos e livros selecionados sobre a temática em questão, buscando despertar o interesse de cada aluno, considerando-os como participe ativo e assimilador de suas ações. Foi proposto em realizar rodas de conversas junto aos trabalhadores da saúde como o estigma é também causador de adoecimento mental de adolescentes LGBT+, porém, em comum acordo optou-se por iniciar pelo corpo docente da escola. Os alunos realizaram rodas de conversas com os professores desde o ensino fundamental até os do curso profissionalizante da mesma escola, que buscaram refletir sobre estigma, interseccionalidade, gênero, identidade de gênero e a incidência de adolescentes em adoecimento mental. A promoção da saúde mental é crucial e envolve a implementação de programas e ações educativas voltadas para a prevenção de transtornos mentais e a promoção do bem-estar psicológico, certo que incorporar essas ações no atendimento em saúde mental promove um ambiente de cuidado mais inclusivo, compreensivo e eficiente, melhorando os resultados e a qualidade de vida dos pacientes, nesta ótica, é essencial uma formação robusta para aumentar a eficiência das práticas em saúde mental (Rodrigues et al., 2024). Ao garantir visibilidade, proteção e apoio a indivíduos LGBT+, é possível não apenas reduzir os índices de transtornos mentais, mas também fortalecer a resiliência e a autoestima, criando um ambiente mais inclusivo e igualitário, dessa forma, a promoção de políticas públicas voltadas à saúde mental da população LGBT+ é crucial para garantir a dignidade e a qualidade de vida de todos os indivíduos, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero (Da Silva Junior; Da Silva; Mota, 2025). As contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi em trabalhar a Desinformação, informação e traduzir em conhecimento em saúde. Considerações finais: Os alunos relataram que para eles foi uma experiência única e muito proveitosa, uma vez, que ter discutido sobre os estigmas, gênero, identidade de gênero e o adoecimento mental de adolescentes com LGBT+ ainda o período de aulas-teóricas, uma vez, que tende fazer toda diferença no campo da saúde com uma população totalmente excluída e fragilizada, onde eles poderão fazer toda a diferença no fazer da enfermagem na prática do cotidiano profissional. No âmbito da docência, infere-se que a realização de uma atividade onde os alunos buscaram refletir sobre as mazelas sociais que assolam a população com identidades dissidentes é acreditar que as metodologias ativas pode ser considerada como um dos caminhos para tonar o aluno como protagonista de sua formação, rompendo a barreira que é centrada muitas vezes no professor e os tornando participes do processo de sua formação, os direcionando para uma formação crítico-reflexivo, corroborando para a construção de caminhos que dialogam para além dos muros da sala de aula, fortalecendo a enfermagem como protagonista de práticas, saberes e sustentabilidade dos serviços de saúde de forma equânime.
