INTEGRAÇÃO DO ENSINO E DO PROCESSO DE ENFERMAGEM NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Resumo
Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é caracterizada como uma patologia clínica, descrita como a incapacidade do coração manter um débito cardíaco para suprir as demandas metabólicas do organismo. Essa condição dar-se-á por distúrbios ou alterações do miocárdio, como o infarto agudo do miocárdio e por quadros crônicos como a hipertensão arterial sistêmica, onde manifesta-se através de sintomas característicos como redução do débito cardíaco ou aumento das pressões de enchimento em repouso ou durante o esforço físico, comprometendo significativamente a capacidade do paciente em realizar atividades cotidianas (Lessa, 2016). Para compensar os distúrbios, o tecido cardíaco adapta-se causando hipertrofia do órgão cardíaco, que por sua vez, na fase inicial é bem aceita pelo organismo, mas a longo prazo é prejudicial, já que o formato ventricular é prejudicado comprometendo a função cardíaca (Batista et al., 2024). O diagnóstico é feito a partir de exames laboratoriais: hemograma completo, peptídeo natriurético e enzimas que avaliam a função hepática, exames de imagens: Ecocardiografia, raio-x de tórax, tomografia computadorizada e ressonância magnética cardíaca, além disso, a avaliação clínica e o exame físico são essenciais para o estabelecimento do diagnóstico (Shams; Malik; Chhabra, 2025). O tratamento consiste em terapias medicamentosas que visam melhorar a qualidade de vida, os sintomas do paciente e diminuir o número de hospitalizações. Recomendar uma melhora na alimentação, controle do peso e atividade física são fundamentais para auxiliar na manutenção da doença. Em alguns casos, a intervenção cirúrgica é necessária para implantação de dispositivos que auxiliam no sistema circulatório ou até mesmo, o transplante cardíaco (Shams; Malik; Chhabra, 2025). A insuficiência cardíaca é a principal causa de internações entre idosos, geralmente ocorre em razão da descompensação da doença que é desencadeada por falta de aceitação do tratamento, infecções, oscilações da pressão arterial e insuficiência renal (Paiva et al., 2025). O enfermeiro possui um papel central na assistência ao paciente com insuficiência cardíaca congestiva (ICC), atuando desde a admissão hospitalar até o acompanhamento ambulatorial. Suas atribuições envolvem a identificação de sinais clínicos, formulação dos diagnósticos de enfermagem, o planejamento de intervenções e a avaliação dos resultados obtidos. Além disso, o enfermeiro possui o papel de educador, o qual promove orientações para estimular o autocuidado e a adesão ao tratamento. Dessa forma, o enfermeiro se destaca como agente de promoção da saúde e na prevenção de complicações, o qual contribui para o bem estar físico e também equilíbrio emocional e social do paciente. Ao realizar a sistematização do cuidado e promover a educação em saúde o profissional torna-se indispensável na melhora da qualidade de vida dos pacientes portadores de ICC (Souza et al., 2022). Objetivo: Relatar a experiência de acompanhamento e as intervenções de enfermagem desenvolvidas junto a um paciente com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva, destacando estratégias de cuidado e resultados alcançados. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, fundamentado em vivências acadêmicas ocorridas no contexto do estágio curricular obrigatório II, realizado em um hospital público de alta complexidade no sudoeste do Paraná no mês de abril de 2025. A elaboração deste trabalho, portanto, constitui-se como resultado desse processo formativo, onde a opção metodológica pelo relato de experiência justifica-se por permitir a análise situada e subjetiva do percurso de aprendizagem, valorizando a interface entre teoria e prática como eixo formativo. Resultados e discussão: Durante o período de estágio, foi realizado o acompanhamento de um paciente que apresentava quadro progressivo de dispneia, ortopneia e anasarca, sendo encaminhado para internação hospitalar com diagnóstico médico de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Na avaliação, apresentava sinais de má perfusão periférica, estado confusional, sopro holossistólico em foco tricúspide, murmúrios vesiculares diminuídos e edema em membros inferiores. Foi iniciado tratamento farmacológico emergencial. Durante o período de internação foi realizado o Processo de Enfermagem (PE) utilizando-se de diagnósticos e prescrições de enfermagem para que as necessidades do paciente fossem tratadas de forma individualizada. Ao acompanhar o paciente com ICC, foi possível perceber a importância e necessidade do enfermeiro em avaliar o paciente como um todo, olhando não somente para a patologia diagnosticada, mas valorizando a queixa do paciente, mantendo-o como agente principal do cuidado. A assistência multidisciplinar é fundamental para a melhora eficaz do quadro da paciente, proporcionando um tratamento clínico integrado entre a patologia e o bem estar físico, mental e social do paciente. Observou-se também que o PE contribuiu significativamente no bem-estar da paciente, já que com as intervenções estabelecidas o atendimento passa a ser mais organizado e integral, centrado no cuidado ao paciente e suas necessidades. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Saúde e bem-estar, como meta: aumentar substancialmente o financiamento da saúde e o recrutamento, desenvolvimento e formação, e retenção do pessoal de saúde nos países em desenvolvimento, especialmente nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. O trabalho mostra que a partir de investimentos em ferramentas que melhoram a qualidade do atendimento e profissionais qualificados, ocorre o desenvolvimento dos setores de saúde, já que o atendimento passa a ser organizado, diminuindo gastos. Considerações finais: A experiência relatada evidencia a complexidade da ICC e a relevância da atuação do enfermeiro no acompanhamento e na assistência prestada ao paciente. O estudo demonstrou também que a aplicação do PE, associado ao trabalho multiprofissional, favorece uma assistência integral, organizada e centrada nas necessidades do paciente, contribuindo para a melhora do quadro clínico e qualidade de vida. Observou-se também que o papel do enfermeiro vai além da execução de procedimentos técnicos, exercendo também a função educativa, orientando o paciente e sua família quanto à adesão ao tratamento, mudanças no estilo de vida e práticas de autocuidado. O relato contribui ainda para a reflexão sobre a formação de futuros profissionais, demonstrando a necessidade de integração no período acadêmico com a prática profissional.
