BARREIRAS E ESTRATÉGIAS RELACIONADAS AO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO: UMA ABORDAGEM INTEGRATIVA

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Resumo

Introdução: O Aleitamento Materno (AM) é considerado o elemento padrão ouro na alimentação de recém-nascidos, sendo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde do Brasil (MS) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) pelos dois primeiros anos, e com exclusividade até os seis meses. Ele tem múltiplos benefícios à saúde infantil e materna, e a sua ausência ou interrupção precoce estão associadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, Diabetes Mellitus e síndrome metabólica pela mãe, e podem afetar a nutrição e desenvolvimento neuropsicomotor do neonato. No entanto, a prática da amamentação pela duração recomendada pode se expressar como uma realidade distante para muitas mulheres. A adoção do AM é influenciada por diversos fatores, que podem ser impactados por questões individuais (psicológicas, sociais ou biológicas), bem como pressões familiares, sociais e do próprio sistema de saúde. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) se expressam como um local de acolhimento e promoção de saúde, podendo ser um local essencial para a conscientização das mães, mas muitas vezes, não têm o seu potencial aproveitado de forma adequada.  Objetivo: Ante o exposto, este projeto tem como objetivo geral analisar as principais barreiras à implementação do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Ademais, tem-se como objetivos específicos investigar os fatores que contribuem para a manutenção do aleitamento materno exclusivo, avaliar o impacto das ações de promoção e apoio às mães durante o período de amamentação exclusiva e propor estratégias e intervenções que possam fortalecer o aleitamento materno exclusivo no contexto da Atenção Primária à Saúde. Metodologia: Consiste em uma revisão sistemática de literatura a respeito das barreiras e desafios que influenciam o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida, realizado com base na declaração Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Utilizou-se a base de dados PubMed, adotando-se uma estratégia de busca através dos descritores: "exclusive breastfeeding", "barriers", "challenges", "breastfeeding/statistics", “newborn", "maternal behavior", "primary health care”.  O processo de seleção constitui-se de quatro etapas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Os critérios de inclusão foram: estudos originais, revisões sistemáticas que abordaram barreiras à amamentação exclusiva até os 6 meses de vida, entre os anos de 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol com acesso gratuito completo ao texto. Foram excluídas as duplicatas, estudos sem resumo, artigos que não abordaram barreiras ao AME, estudos focados em bebês prematuros, em mães HIV positivas e na influência da COVID-19 no aleitamento. Resultados e discussão: Dentre os facilitadores encontrados nos artigos, destaca-se o apoio e aconselhamento de profissionais da saúde, documentado em 12 dos 14 artigos. O suporte foi constatado tanto durante o pré-natal, através de visitas domiciliares, cursos e capacitações que objetivam a orientação das mães e familiares a respeito do AME, quanto no pós-parto imediato no hospital e acompanhamento posterior à alta hospitalar (Ahishakiye, et al., 2020). O apoio do companheiro e da família, também se expressa como um fator decisivo para a manutenção da amamentação (Zhou et al., 2024). Ademais, o conhecimento sobre o AME e seus benefícios estiveram presentes em cinco artigos como facilitador, as mulheres afirmaram que entender os benefícios e a necessidade do leite materno até os seis meses de vida foi um importante contribuinte para a prática efetiva do AME, apresentando maiores taxas de iniciação do aleitamento, duração maior de qualquer forma de amamentação e um AME mais prolongado (Kalhor et al., 2025). Um apropriado aconselhamento aumenta a consciência materna para identificar e resolver problemas relacionados à amamentação. Diversos estudos apontam a influência dos profissionais de saúde que têm contato com a mãe no período pré e pós-natal na prática da amamentação. Populações que possuem redes de aconselhamento a amamentação e maior disponibilidade dessas informações ao público geral tendem a ter menores índices de interrupção. Entre outros fatores encontrados, a presença da licença maternidade, é um fator que tende a aumentar a probabilidade de manutenção da lactação, juntamente ao prolongamento do tempo de permanência da mãe em casa (Brandt et al., 2021). Ademais, a inserção da mãe no mercado de trabalho é um fator de risco para a interrupção do AM, devido ao reduzido suporte (Vieira et al., 2021).  Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O trabalho contribui diretamente para o ODS 3 - Saúde e Bem-Estar, principalmente com a meta 3.2, visando “acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos” ao buscar estratégias que auxiliem a resolução das principais barreiras que comprometem o AME, prática associada à saúde infantil. Também se vincula ao ODS 5 - Igualdade de Gênero, na meta 5.4, evidenciando os impactos da divisão desigual do cuidado, e a importância do apoio conjugal no processo da amamentação. No ODS 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico, o estudo associa-se a meta 8.5 e 8.8, ao demonstrar a influência de políticas que garantam condições laborais adequadas e a licença-maternidade como elementos fundamentais para a manutenção do aleitamento materno exclusivo. Tais medidas protegem os direitos das lactantes, contribuindo para a igualdade de oportunidades e contribuem para a redução das desigualdades de gênero no contexto profissional. Por fim, é possível relacionar ao ODS 10 - Redução das Desigualdades, através das metas 10.2 e 10.3, ao evidenciar fatores como baixa renda e escolaridade, no acesso restrito a informações sobre o AM, e propor ações educativas e fortalecimento do pré-natal para promover a equidade, garantindo às mães em vulnerabilidade o acesso a melhores condições de exercer o direito à amamentação e uma saúde infantil de qualidade. Considerações finais: Os principais fatores que contribuíram para a manutenção do AME foram a boa relação entre os pais e apoio conjugal na criação da criança e em serviços domésticos, além do apoio e incentivo da família e sociedade. O amplo conhecimento, além do maior nível de escolaridade da mãe, juntamente com as intervenções conscientizadoras do sistema de saúde, apresentaram-se determinantes para uma maior taxa de aleitamento materno exclusivo até o sexto mês. Além desses, estão a renda materna, a  licença maternidade e o incentivo em locais de trabalho. Encontraram-se poucas pesquisas acerca da temática realizadas no Brasil, por isso, a realização de pesquisas na população brasileira deve ser considerada, visando preencher as lacunas de um tema relevante para a população pediátrica. 

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Publicado

16-01-2026