Acompanhamento farmacoterapêutico na dispensação de medicamentos antineoplásicos via oral: relato de experiência

  • Tatiane Bertella Hospital de Clínicas de Passo Fundo
  • Leticia Caron Pretto
  • Roberta Pasinato
  • Daniele Picinin
  • Alessandra Ebel
  • Gabriela Dudar Schorn
  • Cassiano Mioso
Palavras-chave: Capecitabina, Farmácia, Oncologia

Resumo

Introdução: A utilização de medicamentos via oral para o tratamento do câncer tem sido amplamente utilizada, entretanto, a efetividade da terapia depende principalmente da adesão do paciente ao tratamento. Assim, a dispensação destes medicamentos com uma assistência farmacêutica que garanta um acompanhamento ao paciente, vem a contribuir para a segurança e efetividade do tratamento. Objetivo: Relatar a experiência de implantação do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes oncológicos em uso do medicamento capecitabina em um hospital de grande porte no norte do estado do Rio Grande do Sul. Metodologia: Na primeira dispensação ambulatorial do medicamento ao paciente, é realizada uma entrevista buscando coletar informações quanto à tratamentos anteriores (quimioterapia, radioterapia ou cirurgia), outras comorbidades, medicamentos de uso contínuo, alergias e hábitos de vida. O paciente é orientado em relação a posologia e potenciais reações adversas que o medicamento possa causar, e esclarecidas dúvidas sobre o tratamento quando houver. Junto com o medicamento dispensado, o paciente recebe uma tabela com as principais reações adversas e, paralelo a elas, campos em branco onde o paciente poderá marcar o dia que apresentar alguma delas. Solicita-se ao paciente que no seu retorno seja devolvida a tabela, tendo ocorrido ou não reação adversa e a embalagem do medicamento. Resultados e Discussão: O acompanhamento farmacoterapêutico se constitui de uma ferramenta ímpar para auxiliar o paciente a seguir com o tratamento. Com essa metodologia, é possível verificar se o paciente consegue tomar todas as doses, se está tendo dificuldade em ingerir o medicamento, aparecimento de alguma reação adversa, frequência e gravidade das mesmas. A reação adversa ao medicamento, é uma barreira que muitas vezes dificulta a adesão ao tratamento, precisando ser manejada conforme seu aparecimento. O acompanhamento também auxilia a criar um vínculo com o paciente, demonstrando a presença do farmacêutico no seu tratamento, e a disponibilidade de ajudar sempre que necessário. A não adesão, além de retardar a possível melhora do paciente em relação a neoplasia, também gera gastos desnecessários com o medicamento que foi utilizado de forma incorreta, e também com as terapias futuras a serem empregadas que talvez não seriam necessárias se houvesse adesão ao tratamento inicial.  Conclusão: O farmacêutico em unidade de dispensação ambulatorial de medicamentos antineoplásicos via oral, como a capecitabina, contribui de forma eficaz para a continuidade do tratamento, garantindo uma melhor adesão, monitorando as reações adversas e intervindo no cuidado sempre que necessário.

Publicado
08-04-2020