A MEMÓRIA DA INFÂNCIA E A IMAGINAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA: UMA LEITURA DE "O NAUFRÁGIO DO BLACK SHIP", DE GUIDO WILMAR SASSI

Autores

Palavras-chave:

Guido Wilmar Sassi, narrador, memória, infância, experiência

Resumo

Guido Wilmar Sassi (1922–2002) é um dos nomes mais significativos da ficção catarinense, mas sua obra permanece pouco explorada nos estudos literários brasileiros, especialmente no que diz respeito aos seus contos de maturidade. Este trabalho insere-se nessa lacuna e propõe uma análise do conto "O Naufrágio do Black Ship", publicado na coletânea Este Mar Catarina (1984), tendo como referencial teórico o conceito de experiência (Erfahrung) em Walter Benjamin, desenvolvido em "O Narrador" (1936). A hipótese central é a de que o conto encena, pela via da memória infantil, a tensão benjaminiana entre a experiência profunda e transmissível e a vivência isolada que o mundo moderno impõe: o menino que transforma um pinheiro em navio pirata possui uma relação com o mundo fundada na imaginação criadora, cuja perda, figurada no corte da árvore quando o narrador retorna adulto à cidade, corresponde ao empobrecimento da experiência de que fala Benjamin. A metodologia articula três instâncias: a análise literária qualitativa do conto, a leitura do referencial teórico benjaminiano e o exame de entrevista concedida pelo próprio Sassi a Giovanni Ricciardi em 1990, na qual o autor confirma que o texto nasce de uma privação real, o mar que nunca existiu em sua infância em Campos Novos (SC), transformada em matéria narrativa pela imaginação. Como resultados esperados, a pesquisa aponta para a compreensão de uma poética sassiana construída sobre a ausência como forma de resistência à modernidade. Como desdobramento, a análise contribui para ampliar o corpus dos estudos sobre Sassi e para o debate mais amplo sobre memória, infância e narrativa na literatura brasileira contemporânea.

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Publicado

07-07-2026

Edição

Seção

Literatura, Leitura e Cultura