DO IDEAL INDIVIDUAL À HERANÇA NARRATIVA: A TRANSFORMAÇÃO DO QUIXOTISMO EM LIMBUS COMPANY

Autores

  • João Vitor Vieira Ferreira Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor
  • Sérgio Roberto Massagli Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor

Palavras-chave:

Dom Quixote, Cervantes, Intertextualidade

Resumo

 Desde sua publicação no início do século XVII, Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, consolidou-se como uma das obras mais influentes da literatura ocidental, sendo frequentemente considerado o primeiro romance moderno. A figura do cavaleiro que tensiona realidade e imaginação ultrapassou os limites da obra e originou o conceito de quixotismo, associado à persistência de ideais diante de sua aparente inviabilidade. Considerando a permanência desse arquétipo em distintos contextos históricos e artísticos, este trabalho objetiva analisar de que modo o quixotismo é reinterpretado em um objeto cultural contemporâneo, o videogame Limbus Company (Project Moon, 2023), especialmente por meio da personagem Dom Quixote/Sancho. Parte-se da hipótese de que o jogo reelabora o ideal quixotesco ao deslocá-lo da imaginação individual para uma herança narrativa compartilhada entre personagens. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa, de caráter bibliográfico, comparativo e interpretativo, fundamentada nas teorias da intertextualidade (Kristeva), do dialogismo (Bakhtin) e da adaptação (Hutcheon). Os resultados indicam que a releitura do arquétipo cervantino preserva traços centrais do quixotismo como idealismo, deslocamento frente ao mundo e impulso transformador, ao mesmo tempo em que os reconfigura em uma narrativa distópica marcada por memória, trauma e coletividade. Conclui-se que a obra evidencia a permanência dos clássicos literários na cultura contemporânea e demonstra o potencial dos videogames como espaço legítimo de ressignificação estética e crítica.

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Publicado

07-07-2026

Edição

Seção

Literatura, Leitura e Cultura