O CONTO MISSA DO GALO, DE MACHADO DE ASSIS, COMO ESPAÇO SIMBÓLICO: A CONSTRUÇÃO DE DONA CONCEIÇÃO E SUAS VARIAÇÕES.

Autores

  • Maria Eduarda Zorzin Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor
  • Saulo Gomes Thimóteo Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor

Palavras-chave:

literatura comparada

Resumo

 O presente artigo analisa o conto Missa do Galo, de Machado de Assis, 
com foco na construção simbólica da personagem Dona Conceição e em suas reescritas na obra Missa do Galo: Variações sobre o Mesmo Tema. A pesquisa parte do pressuposto de que a literatura constitui um espaço de múltiplas interpretações, conforme discutido por Antonio Candido (2006), e dialoga com a noção de dialogismo proposta por Mikhail Bakhtin (1981), compreendendo as reescritas como formas de ampliação de sentidos. O problema investigado consiste em compreender como a personagem Dona Conceição é construída no conto original e de que modo sua releitura, especialmente na versão de Julieta de Godoy Ladeira, ressignifica sua representação. O objetivo geral é analisar essas construções, investigando como a mudança de perspectiva narrativa amplia a dimensão subjetiva da personagem. A metodologia adotada baseia-se em uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico-analítico, com ênfase no método comparativo entre o texto machadiano e a reescrita selecionada. Como resultados, observa-se que, enquanto no conto original Dona Conceição é marcada pela ambiguidade e pelo não dito, na versão de Ladeira há maior explicitação de seus sentimentos, frustrações e consciência social. Conclui-se que as reescritas não apenas reinterpretam a obra, mas também evidenciam novas possibilidades de leitura, reforçando a literatura como um espaço de construção de sentidos e de reflexão crítica, com potencial contribuição para o ensino de literatura. 

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Publicado

07-07-2026

Edição

Seção

Literatura, Leitura e Cultura